Pesquisa de Dicas e Ervas

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quarta-feira, 18 de março de 2009

Estramônio



O Estramônio é uma erva que mede aproximadamente 150 centímetros de altura, constituída de raiz fibrosa, branca e bastante espessa; caule ereto, glabro, cilíndrico, muito ramoso e dicotomo; flores muito grandes, tubulosas, brancas ou lavadas de azul, solitárias, curto-pedunculadas, brotando do ângulo de bifurcação dos ramos; fruto em forma de cápsula ovóide, ereta, de 5 centímetros, constituída de grossos espinhos e sementes reniformes, amareladas e pretas quando maduras. A parte utilizada na terapêutica é a folha, a qual é descrita na Farmacopéia Brasileira 3ª Edição (1977): “A folha de estramônio é longamente peciolada, de limbo oval, arredondado, de base assimétrica ou às vezes cordiforme, agudo no vértice, de lobos marginais sinuosos e desigualmente denteados. Mede de 15 a 20 cm de comprimento de 8 a 10 cm de largura. Possui ambas as faces glabras na folha adulta e cobertas de pêlos na folha nova, principalmente sobre as nervuras da face inferior. A nervação é penada. Por sua vez, as nervuras secundárias, em número de 4 a 5 de cada lado, são alternas, côncavas em cima e salientes em baixo; separam-se da nervura mediana sobre um ângulo agudo, dirigindo-se para os dentes da margem. É de cor verde escura na página superior e mais clara na inferior. Quando fresca, possui cheiro viroso, que chega a desaparecer pela dessecação. É de sabor amargo, nauseoso e levemente salgado.”
Tem-se como certo que o Estramônio é originário do Himalaia, mas pode ser considerado como cosmopolita tropical e subtropical, pois acha-se disseminado em todos os países quentes e temperados do globo, vegetando de preferência junto às habitações ou em lugares incultos, margens de estradas e de campos, hortas, pomares e até lixo.
É uma planta de extrema toxicidade, sendo que as partes mais tóxicas são as folhas e as sementes.

Nome Científico: Datura stramonium L. Sinonímias: Datura tatula L.; Stramonium foetidum Scop.; Stramonium spinosum Lamarck; Datura nigra Humph.

Nome Popular: Estramônio, Figueira Brava, Figueira do Inferno, Figueirinha do Inferno, Zabumba, Erva-dos-mágicos, Mata-zombando, Erva-dos-feiticeiros e Erva-do-diabo, no Brasil; Chamico, na Argentina e no Chile; Chamisco, na República Dominicana; Estramonio, Hedionda e Berenjela del Diabo, na Espanha; Herbe des Magiciens, Herbe du Diable e Pomme Épineuse, na França; Nongué e Pedro de Noche, na Venezuela; Sada Dhatura, na Índia; Stechapfel, na Alemanha; Tapate, na Costa Rica; Toluachl, no México; Thorn Apple, Jimson Weed, Devil’s Apple, Devil’s Trumpet, Jamestown Weed, Mad-apple, Nightshade, Peru-apple, Stinkweed, Stinkwort, Stramonium e Datura, em inglês; Stramonio e Noce Spinosa, na Itália.

Denominação Homeopática: STRAMONIUM.

Família Botânica: Solanaceae.

Parte Utilizada: As folhas.

Princípios Ativos: Alcalóides derivados do tropano, em menor proporção que a Beladona: hiosciamina, atropina, escopolamina e norescopolamina. De acordo com a Pharmacopéia Européia 3ª Edição, o pó final deve ser ajustado para um teor de alcalóides de 0,23 a 0,27%. São também encontrados: Taninos; Flavonóides: rutina; Ácidos Orgânicos e Cumarina: escopoletina.


Indicações e Ações Farmacológicas: O Estramônio é indicado nas afecções respiratórias: espasmos brônquicos e asma; nos espasmo gastrointestinais, hepáticos e renais; nos excessos secretórios: de suor, de muco nasal, de saliva e gástrico (hipercloridria); na midríase para exames oftálmicos; como analgésico geral e como antiparkinsoniano.
A sua ação é muito semelhante à da Beladona, devido à presença dos mesmos alcalóides: hiosciamina, atropina e escopolamina.
A atropina e a hiosciamina têm uma ação parasimpatolítica: midríatica, antiasmática, antiespasmódica, cardioaceleradora, provocando uma bradicardia reflexa, elevando de forma moderada a pressão arterial, pelo aumento da resistência periférica. Diminui o peristaltismo gastrointestinal. Diminui a secreção gástrica, pancreática, e das glândulas sudoríparas e salivares. A atropina é broncodilatadora, diminuindo os broncoespasmos de origem histamínica. É analgésica local. A escopolamina, alcalóide mais abundante no Estramônio, possui ação sedativa sobre o sistema nervoso central, considerando, desta forma, as drogas feitas de Estramônio como antiparkinsonianas.

Toxicidade/Contra-indicações: O Dr. A. Héraud explica de forma minuciosa a sucessão dos fenômenos de intoxicação causados pela administração de drogas a base de Estramônio:
“... vertingens e ligeiro estupor, depois agitação, espasmos, delírio furioso, alucinações em erupção escarlatiniforme. A mídriase (dilatação pupilar) é enorme, a sede intensa, a faringe seca e contrai-se, a deglutição torna-se difícil ou mesmo impossível, a insônia é pertinaz. Ao mesmo tempo sobrevêm a cardialgia, os vômitos, algumas vezes a diarréia; as urinas diminuem, às vezes cessam, embora o enfermo experimente constante vontade de urinar, Quando o termo deve ser fatal, o colapso e o estupor sucedem à constante agitação e ao delírio, depois sobrevem a morte, precedida de convulsões ou de paralisia e de esfriamento.”
Drogas feitas das sementes e das folhas de Estramônio já serviram para envenenar pessoas, lançando-se na bebida ou misturando-se no tabaco. Intoxicações acidentais são raras, pelo motivo da planta não ser atraente, ocorrendo, no entanto, pelo uso intencional para suicídio ou envenenamentos ou ainda como alucinógenos.

Dosagem e Modo de Usar: Não há referências na literatura consultada.

Referências Bibliográficas:

• FARMACOPÉIA BRASILEIRA. 3ª edição. 1977.

• CORRÊA, M. P. Dicionário das Plantas Úteis do Brasil. IBDF. 1984.

• SCHAWENBERG, P.; PARIS, F. Guia de las Plantas Medicinales. Omega.
1980.

• SIMÕES, C. M. O. Farmacognosia da Planta ao Medicamento. 1ª edição.
1999.

• SOARES, A. D. S. Dicionário de Medicamentos Homeopáticos. Edição 2000.
Santos Livraria e Editora.