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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Bardana

Originária do Japão, a Bardana é uma planta de porte herbáceo, medindo cerca de 100-150 centímetros de altura; possui folhas alternas, pecioladas, onde as inferiores são cordiformes (em forma de coração) e as superiores são ovaladas; flores de cor púrpura reunidas em capítulos grandes dispostos em corimbos na extremidade do caule e dos ramos; o fruto é um aquênio com papilho de pêlos muito caducos; raízes napiformes, chegando a pesar 400 gramas e a Ter 45 centímetros de comprimento, de sabor amargo e açucarado e que muitas vezes é confundida com a raiz da beladona. No Japão suas raízes são comumente usadas na alimentação como legumes. Época de floração: de julho a setembro.

Nome Científico: Arctium lappa L. Sinonímia: Lappa major Gaertn. Arctium majus Bernh.

Nome Popular: Gobô, Orelha de gigante, Bardana, Bardana maior, Gobô japonês, no Brasil; Erva dos tinhosos, Pegamaço, em Portugal; Lampazo mayor, Lampazo, em língua espanhola; Burdock, Beggar’s Buttons, Burr Seed, Clotbur, Cockle Buttons, Cocklebur, Fox’s Clote, Great Burr, Happy Major, Love Leaves, Philanthropium e Hardock, em inglês.

Denominação Homaopática: BARDANA ou LAPPA MAJOR.

Família Botânica: Asteraceae (Compositae).

Parte Utilizada: Folhas frescas, raízes e sementes.

Princípios Ativos: Na Bardana há uma abundância de Inulina (30-50% nas raízes); Poliacetilenos (ácido arético, arctinona, arctinol, arctinal); Lactonas sesquiterpênicas; Ácidos fenólicos (ácido cafeico, ácido clorogênico, ácido isoclorogênico e derivados do ácido cafeico: arctiína); Fitoesteróis: beta-sitosterol e estigmasterol; Compostos insaturados: polienos; Taninos; Mucilagens; Carbonato e Nitrato de potássio; Composto antibiótico (semelhante à penicilina); Fenilacetaldeído, Benzaldeído, Metoxi e Metilpirazinas.

Indicações e Ações Farmacológicas: A Bardana possui ação diurética, sendo utilizada em estados onde se quer um aumento da diurese: afecções genitourinárias (cistite, uretrite e nefrite); hiperucemia; gota, auxiliando na eliminação do ácido úrico; hipertensão arterial, sendo a inulina e os sais de potássio (carbonato e nitrato) os responsáveis por este efeito; é colerética, aumentando as secreções biliar e hepática, efeito este causado pelos ácidos fenólicos; por ser hipoglicemiante é indicada para o tratamento de diabetes; é utilizada em tratamentos dermatológicos como: psoríase, dematite seborreica, acne, eczemas, por possuir um princípio antibiótico natural eficiente sobre bactérias Gram positivas, como o estafilococos e o estreptococos; é cicatrizante e adstringente, sendo este efeito determinado pelos taninos; possui ação estimuladora do couro cabeludo.

Toxicidade/Contra-indicações: O uso de diuréticos em hipertensão arterial só deve ser feito sob prescrição médica, já que o aparecimento de uma descompensação tensional pode ser possível devido à eliminação de potássio, podendo ocorrer uma potenciação do efeito dos cardiotônicos. Não é recomendado o uso interno para crianças.

Dosagem e Modo de Usar:
• Uso Interno:
- Decocoção: 40 gramas das raízes em um litro de água. Tomar duas a três xícaras de chá ao dia.
- Infusão: 2-5 gramas ao dia de suas sementes.
- Tintura (1:10): 50-100 gotas, uma a três vezes ao dia.
- Extrato seco (5:1): 1 a 2 gramas ao dia.

• Uso Externo:
- Decocção, aplicada sob a forma de colutórios, banhos ou compressas.

• Uso Fitocosmético:
- Em shampoos, tônicos capilares, cremes e loções impuras e oleosas 1-3% de extrato glicólico ou decocto.


Referências Bibliográficas:
• PR VADEMECUM DE PRECRIPCIÓN DE PLANTAS MEDICINALES. 3ª
edição. 1998.

• Segredos e Virtudes das Plantas Medicinais. Reader’s Digest do Brasil. 1ª edição.
1999.

• SCHAWENBERG, P.; PARIS, F. Guia de las Plantas Medicinales. Omega.
1980.

• CORRÊA, M. P. Dicionário das Plantas Úteis do Brasil. IBDF. 1984.

• SOARES, A. D. Dicionário de Medicamentos Homeopáticos. 1ª edição. Santos
Livraria Editora. 2000.







terça-feira, 9 de junho de 2009

Imburana

Trata-se de uma árvore regular, medindo até 15 metros de altura e 50 centímetros de diâmetro. Apresenta casca grossa, suberosa, gordurosa, aromática, de cor vermelho-pardacenta e que se desprende em finas lâminas. As folhas são alternas, irregularmente pinadas, compostas por 11-15 folíolos alternos, peciolados, ovados, arredondados no ápice e na base e inteiros. Flores brancacentas ou branco-amareladas, aromáticas. O fruto é uma vagem achatada a qual contém uma ou duas sementes aladas, rugosas, ovóides, duras, de superfície lisa, externamente cinza-clara e rajada de preto.

Nome Científico: Amburana cearensis (Fr. All.) A. C. Smith Sinonímia: Torresea cearensis Fr. All.; Amburana Claudii Schw. et Taub.

Nome Popular: Imburana, Amburana, Cerejeira, Cumarú-do-Ceará, Cumaré, Cumarú-das-caatingas, Imburana-de-cheiro, Umburana, Amburana-de-cheiro, Cerejeira-rajada e Cumarú-de-cheiro, em português; Palo Trébol e Roble, na Argentina.

Família Botânica: Leguminosae-Papilionoideae.

Parte Utilizada: Casca e Semente.

Princípios Ativos: São pouco conhecidos, há a citação da presença de Óleo Volátil.

Indicações e Ações Farmacológicas: Popularmente a casca separada ou misturada com as sementes constitui um ótimo peitoral, usado contra resfriados, tosses, bronquites, asma e quaisquer afecções pulmonares. A semente serve mais para perfumar a roupa e produzir sabonetes.

Toxicidade/Contra-indicações: Não há referências nas literaturas consultadas.

Dosagem e Modo de Usar: Não há referências nas literaturas consultadas.


Referências Bibliográficas:

• CORRÊA, M. P. Dicionário das Plantas Úteis do Brasil. IBDF. 1984.

• LORENZI, H. Árvores Brasileiras, vol.: 01, 3ª edição, Plantarum, 2000.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Óleo de Andiroba

A Andiroba é comum nas várzeas da Amazônia. Velha conhecida dos indígenas, dos caboclos e dos madeireiros, começa a ganhar fama internacional pela comprovação científica de algo que os nativos sabem há muitas gerações: o bagaço da castanha, quando queimado, solta uma fumaça que tem o poder de repelir mosquitos. Alguns produtos sob a forma de vela estão sendo comercializados como um repelente natural.
Desde a época do Descobrimento do Brasil, o óleo de andiroba era empregado pelos índios Mundurukús como ingrediente na mumificação das cabeças dos inimigos, que serviam de troféus de guerra. Hoje, o óleo é medicamento usado para muitos males, principalmente como linimento contra pancadas e antiinflamatório, contra dores de garganta.
É uma árvore grande, que mede até 30 metros de altura, apresentando uma casca cinzenta e grossa. As folhas são imparipinadas ou abrupto-pinadas, grandes, de até 1 metro de comprimento ou mais, composta de numerosos folíolos subopostos, elíptico-oblongos, inteiros, acuminados e glabros. As flores são pequenas, amarelas, vermelhas e axilares. O fruto é uma cápsula ovóide semi-globosa, lenhosa, pardacenta, 4-vulvar, contendo número variável de sementes vermelhas, coriáceas e quase lenhosas, convexas, angulosas ou irregularmente tetraédricas, achaatadas lateralmente.
As sementes privadas das cascas produzem 70% de óleo amargo e concreto, amarelo-escuro e muito espesso.

Nome Científico: Carapa guianensis Aubl. Sinonímia: Carapa latifolia Willd.; Xylocarpus carapa Spreng.; Carapa macrocarpa Ducke.

Nome Popular: Andiroba, Andiroba-saruba, Iandirova, Iandiroba, Carapá, Carapa e Nandiroba, no Brasil; Cachipou e Noix de Crab, na Guiana Francesa; Carapa Tree, em inglês; Carapo, na ilha de Trindade.

Família Botânica: Meliaceae.

Parte Utilizada: Óleo extraído das sementes.

Princípios Ativos: Alcalóide: carapina (andirobina); Ácidos Esteárico, Olêico, Palmítico, Linolêico, Mirístico ; Taninos; Apoxiazadiradiona; Matérias Gordurosas.

Indicações e Ação Farmacológica: O óleo das sementes, que contêm o alcalóide carapina e matérias gordurosas, é utilizado na medicina popular, em compressas e fricções, na região Norte do Brasil, como antiinflamatório, antibacteriano, cicatrizante e repelente de insetos. Tem um excelente efeito sobre inchações e traumas. Segundo M. Pio do óleo de Andiroba pode-se fazer sabão para moléstias da pele.
Pode-se ser feitos cremes emolientes e hidratantes deste óleo.

Toxicidade/Contra-indicações: Não há referências nas literaturas consultadas.

Dosagem e Modo de Usar: A medicina popular emprega 50% Óleo de Andiroba com 50% de Óleo de Copaíba no tratamento da herpes, deixando o líquido em contato com a ferida durante trinta minutos e aplicando duas vezes ao dia.
Cosméticos:
Utiliza-se o óleo em shampoos, condicionadores, cremes, loções e géis: 2 a 5%.

Referências Bibliográficas:
• Segredos e Virtudes das Plantas Medicinais. Seleções do Reader’s Digest. 1ª
edição. 1983.

• VIEIRA, L. S. Fitoterapia da Amazônia. 2ª Edição. São Paulo. Editora
Agronômica Ceres. 1992.

• LORENZI, H. Árvores Brasileiras. vol. 1. 2ª edição. 1998. Instituto Plantarum.

• CORRÊA, M. P. Dicionário das Plantas Úteis do Brasil. IBDF. 1984. TESKE,
M.; TRENTINI, A. M. Herbarium Compêndio de Fitoterapia.
Herbarium. Curitiba. 1994.

• Revista Globo Rural. Novembro de 1999.

Noz Vômica

Segundo a Pharmacopéia dos Estados Unidos do Brasil 1ª edição (1926), a semente da Noz Vômica é caracterizada da seguinte forma:
“A noz vomica deve conter, no mínimo, 1,25 por cento de estricnina (C21H22O2N2=334,192).
Esta semente é discóide, de contorno quase circular, com a margem levemente engrossada e obtusa, de 20 a 25 mm de diâmetro e 3 a 5 mm de espessura; sua face dorsal é plana ou um pouco côncava e a face ventral é levemente convexa: ambas possuem cor cinzenta clara ou cinzento-esverdeada e aspecto luzidio e assetinado ou veludoso. O centro da parte convexa é ocupado pelo hilo, de onde parte uma leve proeminência (rafe) que atinge uma pequena protuberância verrucosa (micropilo) colocada na margem da semente e que marca o lugar em que se acha a radícula do embrião. O endosperma, que constitui a maior parte da semente, é córneo, branco-acinzentado, cavado no centro; o embrião mede cerca de 7 mm de comprimento e é formado de uma radícula claviforme e de dois cotilédones largamente cordiformes.
A noz vomica é inodora e de sabor nimiamente amargo e persistente.”
É uma árvore perene, originária da índia, norte da Austrália e dos bosques tropicais do sudeste asiático. Possui folhas ovaladas e opostas de cor verde-acinzentada e brilhante. As flores são dispostas em pequenas cimeiras terminais, de coloração branco-esverdeada. O fruto é uma baga de 4-5 centímetros que contém no seu interior 5-6 sementes.

Nome Científico: Strychnos nux vomica L. Sinonímia: Strychnos colubrina Auct. ex DC.; Strychnos ligustrina Blume; Strychnos lucida Wall.; Strychnos nitida G. Don; Strychnos ovalifolia Stokes; Strychnos vomica St.-Lag.; Strychnos wallichiana Steud.

Nome Popular: Noz Vômica, Carimão, Caró e Cazzó, no Brasil; Nuez Vómica, em espanhol; Quakerbuttons e Poison Nut, em inglês; Noix Vomique e Vomiquier, na França; Noce Vomica, na Itália; Strychnussbaum, na Alemanha.

Denominação Homeopática: NUX VOMICA.

Família Botânica: Loganiaceae.

Parte Utilizada: Semente.

Princípios Ativos: Alcalóides Indólicos (1-5%): estricnina (40-45%), isoestricnina (5-8,5%), brucina (40-45%) e isobrucina (1,5%); Ácido Clorogênico; Ácido Málico; Álcoois Terpênicos; Sais de Sílica.

Indicações e Ação Farmacológica: O uso terapêutico da Noz Vômica não se justifica devido aos seus riscos e sua importância está na obtenção da estricnina, muito empregada em estudos laboratoriais da excitabilidade muscular ou em ensaios de anticonvulsivantes e de relaxantes musculares de ação central. Extratos de Noz Vômica já foram empregados em diversos distúrbios, como gastrointestinais e debilidades físicas (Hoehne, 1939). Entretanto em Homeopatia é muito empregada: “Moreno, cabelos pretos, magro, colérico, irritável, impaciente, teimoso, nervoso, melancólico, de hábitos sedentários e preocupações de espírito: tal é o doente de Nux vomica. Homens de negócios” (Nilo Cairo, 1983).
Seu principal alcalóide, a estricnina, é um poderoso excitante do sistema nervoso central, atuando por efeito bloqueador dos impulsos inibitórios que chegam aos neurônios localizados ao nível espinhal, sendo que os estímulos sensitivos produzem efeitos reflexos exacerbados no indivíduo. Entre seus numerosos efeitos, destaca-se o convulsivante, caracterizado por uma excitação tônica do tronco e extremidades, precedida e seguida de impulsos extensores simétricos fásicos que podem dar começo a qualquer modalidade de impulso sensitivo (Goodman e Gilman A., 1986; Wu H. et al., 1994).
A atividade convulsivante é devida à interferência pós-sináptica mediada pela glicina (Curtis, D. 1969). A forma de convulsão provocada pela estricnina difere das produzidas pelos estimulantes neuronais centrais diretos, que proporcionam uma resposta assimétrica e sem coordenação.
Ao nível cardíaco, estimula a força de contração do miocárdio, inclusive a baixas doses (Perris, J. et al., 1995). Ao nível gastrintestinal atua como laxante(na prisão de ventre) e estomáquico amargo, por aumento da secreção cloropéptica, e desta forma sua toxicidade não permite emprego de aspecto digestivo (Goodman e Gilman, A., 1986).

Toxicidade/Contra-indicações: O quadro tóxico é caracterizado primeiramente por contratura dos músculos faciais e cervicais, seguido de excitabilidade reflexa na qual qualquer estímulo sensitivo pode promover uma abrupta resposta motora. É muito comum o aparecimento de um impulso extensor coordenado seguido de convulsão tetânica completa que deixa o corpo em um arqueamento hiperextensivo conhecido como opistótonos. Os episódios convulsivos podem ser muito repetidos, conforme a quantidade de impulsos sensitivos que cercam o indivíduo (táteis, auditivos, etc...).
O paciente, em estado de consciência, entra numa situação de temor angustiante e pânico entre cada convulsão. Uma segunda ou terceira convulsão pode tirar a vida do indivíduo. Nas etapas terminais todos os músculos voluntários ficam contraídos, comprometendo a vida do indivíduo pela contração dos músculos torácicos e do diafragma, originando uma hipóxia respiratória e intensas contrações musculares, podendo ocasionar acidose respiratória e metabólica severas. A morte decorre de uma paralisia bulbar (Boyd R. et al., 1983).
A DL 50 em animais de laboratório é de aproximadamente 1 mg/kg. O tratamento da intoxicação deve ser rápido e atender principalmente dois aspectos: que cesse as convulsões e a assistência respiratória. No primeiro caso, o Diazepam (em doses adultas de 10 mg por via endovenosa) é o antagonista das convulsões sem potencializar a depressão comum a alguns barbitúricos ou depressores seletivos do SNC (Maron B. et al., 1971). No segundo caso, promove-se uma assistência respiratória mecânica. Pode-se também retardar a absorção da estricnina no organismo administrando-se bicarbonato de sódio, ácido tânico a 2%, carbono ativado, permanganato de potássio (1:5000) ou tintura de iodo (1:250) (Boyd R. et al., 1983).

Dosagem e Modo de Usar:
• Formas Galênicas mais empregadas:
- Pó: 0,06-0,010g diários em cápsulas;
- Extrato Fluido (2,5 alcalóides, 1 g = 50 gotas): Tomar 2 a 4 gotas, duas a três vezes ao dia;

• Homeopatia: Tintura-mãe 1ª à 200ª, 500ª, 1000ª e 10.000ª. Age melhor sendo tomada à tarde.

Referências Bibliográficas:

• ALONSO, J. R. Tratado de Fitomedicina. 1ª edição. Isis Editora. Buenos
Aires 1998.

• ALBINO, R. Pharmacopéia dos Estados Unidos do Brasil. 1ª edição. 1926.

• CAIRO, N. Guia de Medicina Homeopática. 1983.

• SOARES, A. D. Dicionário de Medicamentos Homeopáticos. 1ª edição. Santos
Livraria Editora. 2000.

• SIMÕES, C. M. O. Farmacognosia da Planta ao Medicamento. 1ª edição.
1999.

Noz de Cola

Acredita-se que o homem do período Paleolítico já utilizava plantas com alcalóides metilxantínicos com as quais preparava as suas bebidas. A Noz de Cola participa de algumas cerimônias sociais na África e na Ásia, a qual foi transmitida para as culturas afro-americanas.
É uma árvore sempre verde que apresenta uma altura de cerca de 15 metros. As folhas são coriáceas, inteiras, oval-oblongas e pecioladas com aproximadamente 10-20 centímetros de comprimento. As flores são dispostas em panículas amarelas. O fruto é polifolicular estrelado.
A Pharmacopeia dos Estados Unidos do Brasil 1ª edição (1926) descreve as sementes, parte utilizada na terapêutica assim:
“A semente de cola, impropriamente denominada noz, é de forma e tamanho muito variável; mede geralmente de 25 a 50 mm de comprimento por 20 a 30 mm de largura e é de forma ovóide ou oblonga, obtusa, subtetragonal, deformada por compressão recíproca no interior do fruto; é recoberta por um tegumento membranoso, frouxo, cuja cor varia, na semente fresca, do branco-amarelado ao róseo-avermelhado, passando uniformente, pela dessecação, a cor de ferrugem. Cada semente é constituída por dois cotilédones carnosos reunidos e apresenta na sua base a fenda germinal curta, cruzando em ângulo reto o plano de contato dos cotilédones, os quais, quando separados, deixam ver na base da semente, no fundo da fenda germinal, uma pequena cavidade que contém às vezes a radícula e a plúmula ou os seus restos. Os cotilédones são divididos em cinco a oito lobos irregulares e perfeitamente distintos.
A semente de cola possui sabor adstringente e amargo, que diminui bastante pela dessecação.”

Nome Científico: Cola vera K. Schum. Sinonímia: Cola nitida A. Chev.

Nome Popular: Noz de Cola, Cola, Coleira, Gurú, Kola, Kolateira, Nangolê, Obi, Oby, Oubi, Orobó e Riquesu, em português; Cola e Kola, em espanhol; Cola, Kola Nut e Cola Seed, em inglês; Kolanussbaum, na Alemanha.

Denominação Homeopática: STERCULIA.
Observação: Utiliza-se principalmente em Homeopatia a espécie Cola acuminata Schott et Endl., porém faz-se uso também da Cola vera K. Schum.

Família Botânica: Sterculiaceae.

Parte Utilizada: Sementes.

Princípios Ativos: Alcalóides Metilzantínicos: cafeína, teobromina; Taninos Condensados: d-catequina, -epicatequina; Betaína; Colina; Sais Minerais: Fósforo, magnésio, cálcio e potássio; Áscido Silícico; Celulose; Ácidos Graxos; Protocianidinas.

Indicações e Ação Farmacológica: A Noz de Cola é indicada como energizante nas astenias, hipotonias, hipotensão, bradicardia e convalescência.
As plantas que contêm metilxantinas, tais como Noz de Cola, Guaraná, Erva Mate, Chá Verde, Café, Cacau são consideradas estimulantes do sistema nervoso central. Todas estas atuam melhorando a função intelectual (associação de idéias, atenção); estimulam a atividade cardiorespiratória ao atuar sobre os centros bulbares, vasomotor e vagal, gerando um aumento da freqüência cardíaca, vasodilatação coronária e aumento do ritmo respiratório; aumentam o metabolismo basal e a lipólise; estimulam a atividade músculo-esquelética; relaxam a musculatura lisa; produzem um suave efeito diurético e estimulam a secreção gástrica (Goodman e Gilman A.; 1986; Ibu, J. et al., 1986; Newall C. et al., 1996.).

Toxicidade/Contra-indicações: Em geral o consumo contendo alcalóides metilxantínicos, como o Guaraná, em bebidas pode ocasionar ansiedade, palpitações, tremores, insônia, excitação (seguido de depressão) e cefaléia. Nos países, como o Sudão, onde se mastiga na forma habitual natural (como estimulante e afrodisíaco), tem-se observado uma maior incidência de câncer provavelmente devido à ação dos taninos (Morotn J., 1992).
Devido ao teor de cafeína, não administrar nos casos de hipertensão arterial, úlcera gastroduodenal, insônia, hipercolesterolemia, gravidez, transtornos cardíacos severos e distonias neurovegetativas em geral. As metilxantinas passam para o leite materno, e, é muito ínfimo o risco para o bebê. Não deve ser administrado para crianças (Newall C. et al., 1996).

Dosagem e Modo de Usar:
• Uso Interno:
Pó: 1 a 2 g/dia, em cápsulas;
Extrato Seco (5:1): 0,3 a 1 g/dia;
Extrato Fluido (1:1): 20-60 gotas, uma a três vezes ao dia.

Referências Bibliográficas:
• SCHAWENBERG, P.; PARIS, F. Guia de las Plantas Medicinales. Omega.
1980.

• PR VADEMECUM DE PRECRIPCIÓN DE PLANTAS MEDICINALES. 3ª
edição. 1998.

• ALONSO, J. R. Tratado de Fitomedicina. 1ª edição. Isis Editora. Buenos
Aires 1998.





• SOARES, A. D. Dicionário de Medicamentos Homeopáticos. 1ª edição. Santos
Livraria Editora. 2000.

• ALBINO, R. Pharmacopéia dos Estados Unidos do Brasil. 1ª edição. 1926.

Nogueira

Oriunda da Ásia Ocidental, Sudeste da Europa, China e Himalaia, a Nogueira é uma árvore de altura variável, chegando a medir 10-25 metros de altura; com caule de casca acinzentada e pouco rugosa; possui flores monóicas, dispostas em amento; brácteas imbricadas, concrescentes inferiormente como perigônio que é 5-6 lobado e livres no ápice; o fruto é uma drupa, com mesocarpo de sabor adstringente e sementes volumosas; a folha de cor verde-escura na página superior e verde mais clara na página inferior, é composta-imparipinada, formada de 4 ou 9 folíolos e mede de 6 a 15 cm de comprimento sobre 3 a 7 cm de largura; os folíolos são ovais ou oblongos, acuminados, inteiros ou um pouco emarginados e percorridos por uma grossa nervura mediana, sobre a qual estão inseridas, de cada lado, cerca de 12 nervuras laterais e possui cheiro fraco, aromático e sabor amargo e adstringente.
A noz, que se consiste do fruto do tipo drupa, serve ainda para o fabrico de um óleo muito apreciado em algumas regiões, além de juntamente com as folhas constituírem de matérias-primas antigamente muito utilizadas em tintura para o tingimento capilar.

Nome Científico: Juglans regia L.

Nome Popular: Nogueira, Nogueira-da-Índia, no Brasil; Nogal, em língua espanhola; Noce, na Itália; Noyer, na França; Walnut Tree, Persian Walnut, Walnut e English Walnut, em inglês; Walnussbaum, na Alemanha; Orejovoie, na Rússsia; Nogal Comun, em Cuba.

Denominação Homeopática: JUGLANS.

Família Botânica: Juglandaceae.

Parte Utilizada: Folhas, óleo, córtex e fruto.

Princípios Ativos:
• Folha: Naftoquinonas: juglona, plumbagina e -hidroplumbagina; Taninos (3-4%) gálicos e catéquicos; Inositol; traços de óleo essencial com D-germacraneno; Derivados flavônicos: hiperosídeo, juglamina, quercetina; Ácidos fenolcarboxílicos: cafêico, gálico e neoclorogênico; Ácido ascórbico (1%).
• Fruto: Óleos; Aminoácidos; Sais minerais: zinco e cobre; Carotenos; Vitaminas: B1,B2,B5 e PP e Glicídios.
• Córtex: Derivados naftoquinônicos; Vitamina C; Aminoácidos e Taninos.

Indicações e Ação Farmacológica: A Nogueira é indicada para o uso interno: no raquitismo, na bronquite, na anemia, na diabete, na gota, no reumatismo, nas diarréias, na hiperglicemia, na artrose e na gastrenterite. Para o uso externo: em afecções cutâneas como a acne e o eczema; em shampoos anticaspa/aniqueda de cabelos e como tintura para escurecimento de cabelos.
Os taninos constituintes da Nogueira atuam como adstringentes e antidiarréicos, promovendo a retração dos tecidos e dos vasos e reduzindo, desta forma, secreções anormais. A juglona é uma hidroxinaftoquinona, que possui ação antifúngica, levemente anti-séptica, vesicatória e queratinizante, que causa coloração escura da pele. As folhas de Nogueira apresentam leve ação hipotensora e hipoglicemiante, não tendo sido ainda definido qual o constituinte responsável por esta ação. A quantidade alta de vitamina C, age como antiescorbútico, e a presença de pequenas quantidades das vitaminas do complexo B e de sais minerais são essenciais à nossa dieta.

Toxicidade/Contra-indicações: Diante da ausência de dados a respeito da possível interação da Nogueira com outras medicações, recomenda-se não administrar simultaneamente com outras drogas.
Em pessoas que possuam gastrite e úlcera gastroduodenal, os taninos podem irritar a mucosa gástrica, sendo este efeito interrompido associando-se drogas com mucilagem.
Como efeito colateral, a droga pode causar mal-estar e vômito em indivíduos que possuam o estômago sensível a taninos. Também pode desencadear reações de hipersensibilidade como irritação dérmica e ocular.

Dosagem e Modo de Usar:
• Uso Interno:
- Infusão: (folhas): 20g/L, infundir por 15 minutos, três ou mais xícaras ao dia, entre as refeições.
- Extrato Fluido (1:1 – folhas): 30-50 gotas, uma a três vezes ao dia.
- Tintura de folhas (1:10): 50-100 gotas, uma a três vezes ao dia.
- Extrato Seco: 0,5 a 2,0 gramas por dia.

• Uso Externo:
- Decocção: 50 gramas das cascas em 1 litro de água, duas a três vezes ao dia, em banhos contra hemorróidas, leucorréias, eczemas, psoríase, herpes e feridas, em gargarejos contra amidalites, faringites.
- Decocção: das cascas da árvore e das cascas verdes do fruto (noz) para escurecer os cabelos.
- Shampoos, tônicos capilares, loções, cremes e géis bronzeadores: 1-7% de extrato glicólico ou tintura oleosa 2:1.










Referências Bibliográficas:

• CORRÊA, M. P. Dicionário das Plantas Úteis do Brasil. IBDF. 1984.

• SCHAWENBERG, P.; PARIS, F. Guia de las Plantas Medicinales. Omega.
1980.

• SOARES, A. D. Dicionário de Medicamentos Homeopáticos. 1ª edição. Santos
Livraria Editora. 2000.

• PR VADEMECUM DE PRECRIPCIÓN DE PLANTAS MEDICINALES. 3ª
edição. 1998.

Nó de Cachorro

Trata-se de uma planta perene, ereta, sublenhosa, pouco ramificada, caule densamente sedoso-pubescente e folioso até o ápice e medindo cerca de 40-100 centímetros de altura. As folhas são alternas, sem pecíolos, com a face superior quase glabra e densamente sedoso-pubescente. A droga é constituída por rizomas cilíndricos, tortuosos, de pontas arredondadas, com pequena estriação transversal, de superfície lisa e cor marrom-escura, das quais se destacam cicatrizes de raízes.
A espécie Heteropteris aphrodisiaca O. Mach., freqüentemente encontrada em regiões pantanosas e cerrado, é a mais conhecida das espécies pelo nome Nó de Cachorro e se constitui de espécie diferente da Vernonia cognata Less. Porém esta última é conhecida também pelo nome de Nó de Cachorro no local onde é encontrada.

Nome Científico: Vernonia cognata Less. Sinonímia: Vernonia propinqua Hieron.

Nome Popular: Nó de Cachorro e Assapeixe-roxo, no Brasil.

Família Botânica: Asteraceae (Compositae).

Parte Utilizada: Rizoma.

Princípios Ativos: A triagem fitoquímica realizada detectou a presença de: Alcalóides; Esteróides; Taninos: condendados e hidrolisáveis.

Indicações e Ações Farmacológicas: As indicações são pouco conhecidas para esta espécie e merece destaque especial para a avaliação farmacológica.

Toxicidade/Contra-indicações: Em estudo realizado, detectou-se a ocorrência de mortes de camundongos após 2 horas de administração intraperitoneal de doses de 1000 mg/kg desta espécie. Maiores estudos toxicológicos pelos pesquisadores devem ser postos em prática.

Dosagem e Modo de Usar: Não há referências nas literaturas consultadas.

Referências Bibliográficas:
• MARQUES, L.C.; GALVÃO, S.M.P.; PERES, P.G.; REBECCA, M.A.;
MELLO, J.C.P. Caracterização Farmacognóstica da Droga Vegetal Nó de
Cachorro (Vernonia cognata Less. – Asteraceae, Simpósio de Plantas
Medicinais do Brasil, 14º, Resumos, Florianópolis, UFSC, 1996.