Pesquisa de Dicas e Ervas

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sexta-feira, 13 de março de 2009

Cumarú





Árvore grande, frondosa e elegante sul-americana, principalmente encontrada na Amazônia, o Cumarú apresenta um tronco reto de até 32 metros de altura e 60 centímetros de diâmetro, chegando às vezes até a 1 metro. Sua casca é avermelhada ou amarelo-claro-acinzentada, pouco espessa, com epiderme quebradiça e que se desprende facilmente. As folhas são grandes, alternas, alado-pecioladas, imparipinadas, compostas de seis a oito folíolos alternos, curto-peciolados, com apêndice chato, linear, depois do último par, sendo os folíolos oblongos ou ovados, arredondado-oblíquo-obtusos na base e curto-obtuso-acuminados no ápice, rígidos, luzidios, finamente reticulado-nervados, glabros nas duas páginas. As flores são vermelhas, muito aromáticas, dispostas em panículas ferrugíneo-pubescentes. O fruto é uma drupa ovóide ou oblonga, verde-amarelada que quando madura é fibrosa e esponjosa e envolve uma semente dura, lisa, enrugada quando seca, roxo-escura, achatado-oblonga.
A semente é conhecida por “Fava de Cumarú”, “Fava de Tonka”, “Fava de Tanha” e Tonka Beans (em inglês), a qual foi de grande importância no comércio nos meados do século XIX. Os aborígenes caraíbas aproveitavam para fazer colares e braceletes

Nome Científico: Dipteryx odorata Willd. Sinonímia: Baryosma tongo Gaertn.; Coumarouna odorata Aubl.; Coumarona odora Aubl.

Nome Popular: Cumarú, Cumarú Verdadeiro, Árvore dos Feiticeiros, Cumarú Amarelo, Cumaruzeiro, Cumbari, Fava de Tonca, Fava de Tonka, Fava de Cumarú, Fava de Tanha, Fava de Índia, Sêmen Tonka (nas farmácias), Muira Paiê, Paru, Tonca, Tongo e Umbarú, em porutguês; Tonkabohne, na Alemanha; Sarrapia, Herba de Tonca, Haba de Tonquin,Tonca e Yape, em espanhol; Bois de Coumaron, Faux Gaïac, Fève Tonka, Gaïac de Cayenne, Gaïac de la Guyac e Guayac, em espanhol; Cuamara, Sweet-Scented Tonquin Bean, Tongo Bean, Tonka Bean, Tonka-Bean Tree e Torquin Bean, em inglês; Fava Tonca, na Itália.

Denominação Homeopática: TONGO.

Família Botânica: Leguminosae-Papilionoideae.

Parte Utilizada: Semente.

Princípios Ativos: Cumarinas; Óleo Gordo.




Indicações e Ações Farmacológicas: A semente é bem reputada como antiespasmódica, diaforética, tônico cardíaco e alguns consideram-na como emenagoga. Também indicado para as tosses, evitando o uso prolongado. Essas virtudes estão relacionadas com a presença de cumarinas. Devido ao seu aroma intenso as sementes foram utilizadas para perfumar tabaco, chocolate e bebidas, tendo emprego industrial como sucedâneo da Baunilha. O óleo proveniente de suas sementes ajuda a debelar as úlceras bucais, alivia as dores de ouvido e serve como tônico para o couro cabeludo.
O extrato de Cumarú é veneno moderador e retarda a respiração e dos movimentos cardíacos, sendo ao mesmo tempo um anestésico. O extrato atua sobre o sistema nervoso cérebro-espinhal, de onde a anestesia e os fenômenos sensitivo-motores são verificados. Torna também os intervalos diastólicos mais prolongados e as sístoles compensadoras mais enérgicas e esgotamento final da atividade do órgão em diástole.
Em Homeopatia o Cumarú é utilizado na dor dilacerante da cabeça; nos tremores sobre o lábio superior do lado direito; nas dores das articulações, como as dos joelhos e em casos de pré-tuberculose.

Toxicidade/Contra-indicações: As administrações de drogas que contenham cumarinas podem levar a um leve efeito hepatotóxico (elevado valor de enzimas no sangue). Altas doses (4 gramas de cumarina, equivalente a 150 gramas da droga) podem levar a um estado de estupor, dor de cabeça, náuseas e vômitos.

Dosagem e Modo de Usar:
• Óleo de Cumarú: Pingar algumas gotas do óleo de Cumarú no ouvido do doente;
• Homeopatia: Tintura-mãe, 1.ª, 2.ª e 3.ª.

Referências Bibliográficas:
• CORRÊA, M. P. Dicionário das Plantas Úteis do Brasil. IBDF. 1984.

• SOARES, A. D. Dicionário de Medicamentos Homeopáticos. 1ª edição. Santos
Livraria Editora. 2000.

• CAIRO, N. Guia de Medicina Homeopática. 21ª edição. Livraria Teixeira. 1983.

• PDR for Herbal Medicines. 1st editon. Medical Economics. 1998.

• VIEIRA, L.S. Fitoterapia da Amazônia. Editora Agronômica Ceres. São Paulo.
1992.


terça-feira, 3 de março de 2009

Baunilha


A Baunilha foi muito utilizada pelos índios astecas na aromatização do chocolate, que chamou a atenção dos conquistadores, sendo introduzida na Europa no século XVI.
São conhecidas muitas espécies da família das Orquidáceas, constando segundo M. Pio Côrrea as seguintes espécies: Vanilla aromatica Sw.; Vanilla palmarum Lindl.; Vanilla parviflora Rodr.; Vanilla planifolia Andr. (espécie adotada nas farmacopéias); Vanilla pompona Schiede e Vanilla riberioi Hoehne.
A Vanilla planifolia Andr. é caracterizada por apresentar um caule glabro, medindo até 2 centímetros de diâmetro e com uma ou duas raízes adventícias em cada nó. As folhas são curto-pecioladas ou sésseis, oblongo-lanceoladas, longo-acuminadas, carnosas, coriáceas, com até 22 centímetros de comprimento e 6 centímetros de largura. As flores são verde-amareladas, grandes, de sépalas e pétalas oblongo-lanceoladas e labelo de 5 centímetros, amarelado e com estrias alaranjadas, dispostas em racimos no ápice do ramo.
A Farmacopéia dos Estados Unidos do Brasil 2ª Edição (1959) descreve os frutos da seguinte maneira: “A chamada fava de baunilha do comércio consiste do fruto maduro, devidamente preparado por fermentação.
Apresenta-se em cápsulas uniloculares, flexíveis, de 20 a 25 cm de comprimento e 5 a 12 mm de largura , atenuadas nas duas extremidades, recurvadas na base, mais ou menos cilíndricas ou achatadas, e que dificilmente deixam advinhar a sua forma primitiva, trígona. Sua superfície externa é pardo-negra, mais ou menos luzidia, de aspecto untuoso, sulcada longitudinalmente por vincos bastante profundos, quase paralelos e recobertos, nas melhores qualidades comerciais, de cristais abundantes de vanilina. Em sua extremidade mais delgada, apresenta uma cicatriz procedente do estilete e, na ponta, a cicatriz triangular das partes florais caducas. Cortada transveralmente e comprimida, a baunilha liberta um suco viscoso de cor âmbar e trazendo numerosas sementes, pequenas e pretas.
O pericarpo circunda uma cavidade triangular e possui seis placentas bifurcadas, cheias de grande número de sementes pequenas, pretas, ovais ou arredondadas. A parte interna do pericarpo, compreendida entre essas placentas, é guarnecida de papilas que segregam o suco referido. É de odor aromático, característico e agradável. Não deve desprender odor de heliotropina.”

Nome Científico: Vanilla planifolia Andrews. Sinonímia: Myrobrona fragans Salisb.; Vanilla aromatica Willd.; Vanilla majaijensis Blanco; Vanilla mexicana Mill.; Vanilla sativa Schiede; Vanilla viridiflora Bl.; Vanilla fragans Salis.

Nome Popular: Baunilha e Baunilheira, em português; Vanille, na Alemanha; Vainilla e Vanilla, em espanhol; Vanillier, na França; Banilje, na Holanda; Vanilla e Husk, em inglês; Vaniglia, na Itália; Tlilxochtil, em maia.

Denominação Homeopática: VANILLA.

Família Botânica: Orchidaceae.

Parte Utilizada: Fruto.

Princípios Ativos: Heterosídeos: vanilosídeo ou glucovanila, que se hidrolisa em glicose e vanilina; Álcool Glucovanílico, o qual é hidrolisável em glicose e álcool vanílico, e que por oxidação é convertido em aldeído vanílico ou vanilina; Álcool Anísico; Anisaldeído; Piperonal; Ácido p-hidroxibenzóico.


Indicações e Ações Farmacológicas: Esta planta é indicada nas dispepsias, diarréias e flatulências. É de grande uso como aromatizante e corretor de sabor. Popularmente é usada como afrodisíaco e emenagogo. Em Homeopatia é utilizada como estimulante e emenagogo.
É tônico geral, anti-séptico, digestivo, ligeiramente colerético e aromatizante.

Toxicidade/Contra-indicações: O óleo essencial puro de baunilha pode ser neurotóxicos e produzir dermatites de contato.
É contra-indicado o uso interno do óleo essencial de Baunilha durante a gravidez, lactação, pacientes com hipersensibilidade a este óleo essencial, com gastrite, com úlceras gastroduodenais, síndrome do cólon irritável, colite ulerosa, doença de Crohn, epilepsia, doença de Parkinson ou outra enfermidade neurológica.

Dosagem e Modo de Usar:
• Extrato Fluido (1:1): 30-50 gotas, uma a três vezes ao dia;
• Xarope (5% do extrato fluido): Duas a quatro colheres de sobremesa ao dia;
• Tintura (1:10): 50-100 gotas, uma a três vezes ao dia;
• Homeopatia: 6ª à 30ª.

Referências Bibliográficas:

• PR VADEMECUM DE PRECRIPCIÓN DE PLANTAS MEDICINALES. 3ª
edição. 1998.

• CORRÊA, M. P. Dicionário das Plantas Úteis do Brasil. IBDF. 1984.

• SOARES, A. D. Dicionário de Medicamentos Homeopáticos. 1ª edição. Santos
Livraria Editora. 2000.

• CAIRO, N. Guia de Medicina Homeopática. 1983.

• ALONSO, J. R. Tratado de Fitomedicina. 1ª edição. Isis Ediciones. Buenos
Aires. 1998 (obra cita as referências mostradas nos itens Indicações e Ações
Farmacológicas/ Toxicidade e Contra-indicações).