Pesquisa de Dicas e Ervas

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terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Bardana




Originária do Japão, a Bardana é uma planta de porte herbáceo, medindo cerca de 100-150 centímetros de altura; possui folhas alternas, pecioladas, onde as inferiores são cordiformes (em forma de coração) e as superiores são ovaladas; flores de cor púrpura reunidas em capítulos grandes dispostos em corimbos na extremidade do caule e dos ramos; o fruto é um aquênio com papilho de pêlos muito caducos; raízes napiformes, chegando a pesar 400 gramas e a Ter 45 centímetros de comprimento, de sabor amargo e açucarado e que muitas vezes é confundida com a raiz da beladona. No Japão suas raízes são comumente usadas na alimentação como legumes. Época de floração: de julho a setembro.

Nome Científico: Arctium lappa L. Sinonímia: Lappa major Gaertn. Arctium majus Bernh.

Nome Popular: Gobô, Orelha de gigante, Bardana, Bardana maior, Gobô japonês, no Brasil; Erva dos tinhosos, Pegamaço, em Portugal; Lampazo mayor, Lampazo, em língua espanhola; Burdock, Beggar’s Buttons, Burr Seed, Clotbur, Cockle Buttons, Cocklebur, Fox’s Clote, Great Burr, Happy Major, Love Leaves, Philanthropium e Hardock, em inglês.

Denominação Homaopática: BARDANA ou LAPPA MAJOR.

Família Botânica: Asteraceae (Compositae).

Parte Utilizada: Folhas frescas, raízes e sementes.


Princípios Ativos: Na Bardana há uma abundância de Inulina (30-50% nas raízes); Poliacetilenos (ácido arético, arctinona, arctinol, arctinal); Lactonas sesquiterpênicas; Ácidos fenólicos (ácido cafeico, ácido clorogênico, ácido isoclorogênico e derivados do ácido cafeico: arctiína); Fitoesteróis: beta-sitosterol e estigmasterol; Compostos insaturados: polienos; Taninos; Mucilagens; Carbonato e Nitrato de potássio; Composto antibiótico (semelhante à penicilina); Fenilacetaldeído, Benzaldeído, Metoxi e Metilpirazinas.


Indicações e Ações Farmacológicas: A Bardana possui ação diurética, sendo utilizada em estados onde se quer um aumento da diurese: afecções genitourinárias (cistite, uretrite e nefrite); hiperucemia; gota, auxiliando na eliminação do ácido úrico; hipertensão arterial, sendo a inulina e os sais de potássio (carbonato e nitrato) os responsáveis por este efeito; é colerética, aumentando as secreções biliar e hepática, efeito este causado pelos ácidos fenólicos; por ser hipoglicemiante é indicada para o tratamento de diabetes; é utilizada em tratamentos dermatológicos como: psoríase, dematite seborreica, acne, eczemas, por possuir um princípio antibiótico natural eficiente sobre bactérias Gram positivas, como o estafilococos e o estreptococos; é cicatrizante e adstringente, sendo este efeito determinado pelos taninos; possui ação estimuladora do couro cabeludo.

Toxicidade/Contra-indicações: O uso de diuréticos em hipertensão arterial só deve ser feito sob prescrição médica, já que o aparecimento de uma descompensação tensional pode ser possível devido à eliminação de potássio, podendo ocorrer uma potenciação do efeito dos cardiotônicos. Não é recomendado o uso interno para crianças.

Dosagem e Modo de Usar:
• Uso Interno:
- Decocoção: 40 gramas das raízes em um litro de água. Tomar duas a três xícaras de chá ao dia.
- Infusão: 2-5 gramas ao dia de suas sementes.
- Tintura (1:10): 50-100 gotas, uma a três vezes ao dia.
- Extrato seco (5:1): 1 a 2 gramas ao dia.

• Uso Externo:
- Decocção, aplicada sob a forma de colutórios, banhos ou compressas.

• Uso Fitocosmético:
- Em shampoos, tônicos capilares, cremes e loções impuras e oleosas 1-3% de extrato glicólico ou decocto.


Referências Bibliográficas:
• PR VADEMECUM DE PRECRIPCIÓN DE PLANTAS MEDICINALES. 3ª
edição. 1998.

• Segredos e Virtudes das Plantas Medicinais. Reader’s Digest do Brasil. 1ª edição.
1999.

• SCHAWENBERG, P.; PARIS, F. Guia de las Plantas Medicinales. Omega.
1980.

• CORRÊA, M. P. Dicionário das Plantas Úteis do Brasil. IBDF. 1984.

• SOARES, A. D. Dicionário de Medicamentos Homeopáticos. 1ª edição. Santos
Livraria Editora. 2000.







segunda-feira, 30 de março de 2009

Noz de Cola



Acredita-se que o homem do período Paleolítico já utilizava plantas com alcalóides metilxantínicos com as quais preparava as suas bebidas. A Noz de Cola participa de algumas cerimônias sociais na África e na Ásia, a qual foi transmitida para as culturas afro-americanas.
É uma árvore sempre verde que apresenta uma altura de cerca de 15 metros. As folhas são coriáceas, inteiras, oval-oblongas e pecioladas com aproximadamente 10-20 centímetros de comprimento. As flores são dispostas em panículas amarelas. O fruto é polifolicular estrelado.
A Pharmacopeia dos Estados Unidos do Brasil 1ª edição (1926) descreve as sementes, parte utilizada na terapêutica assim:
“A semente de cola, impropriamente denominada noz, é de forma e tamanho muito variável; mede geralmente de 25 a 50 mm de comprimento por 20 a 30 mm de largura e é de forma ovóide ou oblonga, obtusa, subtetragonal, deformada por compressão recíproca no interior do fruto; é recoberta por um tegumento membranoso, frouxo, cuja cor varia, na semente fresca, do branco-amarelado ao róseo-avermelhado, passando uniformente, pela dessecação, a cor de ferrugem. Cada semente é constituída por dois cotilédones carnosos reunidos e apresenta na sua base a fenda germinal curta, cruzando em ângulo reto o plano de contato dos cotilédones, os quais, quando separados, deixam ver na base da semente, no fundo da fenda germinal, uma pequena cavidade que contém às vezes a radícula e a plúmula ou os seus restos. Os cotilédones são divididos em cinco a oito lobos irregulares e perfeitamente distintos.
A semente de cola possui sabor adstringente e amargo, que diminui bastante pela dessecação.”

Nome Científico: Cola vera K. Schum. Sinonímia: Cola nitida A. Chev.

Nome Popular: Noz de Cola, Cola, Coleira, Gurú, Kola, Kolateira, Nangolê, Obi, Oby, Oubi, Orobó e Riquesu, em português; Cola e Kola, em espanhol; Cola, Kola Nut e Cola Seed, em inglês; Kolanussbaum, na Alemanha.

Denominação Homeopática: STERCULIA.
Observação: Utiliza-se principalmente em Homeopatia a espécie Cola acuminata Schott et Endl., porém faz-se uso também da Cola vera K. Schum.

Família Botânica: Sterculiaceae.

Parte Utilizada: Sementes.

Princípios Ativos: Alcalóides Metilzantínicos: cafeína, teobromina; Taninos Condensados: d-catequina, -epicatequina; Betaína; Colina; Sais Minerais: Fósforo, magnésio, cálcio e potássio; Áscido Silícico; Celulose; Ácidos Graxos; Protocianidinas.


Indicações e Ação Farmacológica: A Noz de Cola é indicada como energizante nas astenias, hipotonias, hipotensão, bradicardia e convalescência.
As plantas que contêm metilxantinas, tais como Noz de Cola, Guaraná, Erva Mate, Chá Verde, Café, Cacau são consideradas estimulantes do sistema nervoso central. Todas estas atuam melhorando a função intelectual (associação de idéias, atenção); estimulam a atividade cardiorespiratória ao atuar sobre os centros bulbares, vasomotor e vagal, gerando um aumento da freqüência cardíaca, vasodilatação coronária e aumento do ritmo respiratório; aumentam o metabolismo basal e a lipólise; estimulam a atividade músculo-esquelética; relaxam a musculatura lisa; produzem um suave efeito diurético e estimulam a secreção gástrica (Goodman e Gilman A.; 1986; Ibu, J. et al., 1986; Newall C. et al., 1996.).

Toxicidade/Contra-indicações: Em geral o consumo contendo alcalóides metilxantínicos, como o Guaraná, em bebidas pode ocasionar ansiedade, palpitações, tremores, insônia, excitação (seguido de depressão) e cefaléia. Nos países, como o Sudão, onde se mastiga na forma habitual natural (como estimulante e afrodisíaco), tem-se observado uma maior incidência de câncer provavelmente devido à ação dos taninos (Morotn J., 1992).
Devido ao teor de cafeína, não administrar nos casos de hipertensão arterial, úlcera gastroduodenal, insônia, hipercolesterolemia, gravidez, transtornos cardíacos severos e distonias neurovegetativas em geral. As metilxantinas passam para o leite materno, e, é muito ínfimo o risco para o bebê. Não deve ser administrado para crianças (Newall C. et al., 1996).

Dosagem e Modo de Usar:
• Uso Interno:
Pó: 1 a 2 g/dia, em cápsulas;
Extrato Seco (5:1): 0,3 a 1 g/dia;
Extrato Fluido (1:1): 20-60 gotas, uma a três vezes ao dia.

Referências Bibliográficas:
• SCHAWENBERG, P.; PARIS, F. Guia de las Plantas Medicinales. Omega.
1980.

• PR VADEMECUM DE PRECRIPCIÓN DE PLANTAS MEDICINALES. 3ª
edição. 1998.

• ALONSO, J. R. Tratado de Fitomedicina. 1ª edição. Isis Editora. Buenos
Aires 1998.





• SOARES, A. D. Dicionário de Medicamentos Homeopáticos. 1ª edição. Santos
Livraria Editora. 2000.

• ALBINO, R. Pharmacopéia dos Estados Unidos do Brasil. 1ª edição. 1926.

Marcela




Trata-se de um subarbusto caracterizado por apresentar uma altura de cerca de 80 centímetros de altura. De caule ereto coberto por uma pilosidade de cor esbranquiçada; suas folhas são oblongas ou lanceoladas, alternas, sésseis e densamente tomentosas. A Pharmacopéia dos Estados Unidos do Brasil 1ª Edição (1926) descreve as flores da Marcela da seguinte maneira: “As flores da macella são amarelas, reunidas em número de 5 a 6 em capítulos discóides, heterogâmicos, densamente agrupados em glomérulos paniculados; as flores centrais, em número de 1 a 3 (freqüentemente uma única) são tubulosas, hermafroditas; se as exteriores, raras, são filiformes femininas. O invólucro é cilíndrico, de 6 a 7 mm de comprimento, com 10 a 11 bracteas amarelo-pardas, estreitas, escariosas, multi-seriadas, sendo as internas lanceoladas-agudas e as externas gradualmente menores, oblongas ou agudas; o receptáculo é pequeno, nu ou fimbrilífero. As corolas das flores femininas são filiformes, de vértice denteado, e das flores hermafroditas regulares; tubulosas, de limbo estreito e dentes lanceolados. As anteras são sagitadas na base, com as aurículas caudadas. O estilete tem ramos longos, truncados. Os aquênios são obovóides, glabros, pardos, papilosos. Papo uniseriado, branco, com cerca de 20 cerdas delicadas, ciliadas, de 4 mm de comprimento.
Essas flores possuem cheiro particular e sabor amargo e aromático.”
A Marcela foi uma planta muito empregada pelos indígenas sul-americanos, quando empregada com ação digestiva, antiinflamatória, emenagoga e anti-séptica.
A Marcela é originária do sudeste da América do Sul. É encontrada principalmente no Brasil, no Uruguai e na Argentina.

Nome Científico: Achyrocline satureoides (Lam.) D.C. Sinonímia: Gnaphallium satureoides Lam.

Nome Popular: Marcela, Marcela do Campo, Losna do mato, Camomila-nacional, Alecrim-de-parede, Macela-amarela, Macela-da-terra, Macela-do-sertão, Macelinha e Chá de Lagoa, no Brasil; Marcela Hembra e Marcela Branca, no Uruguai; Pirayu e Yatei Caa, no Paraguai; Huira Huira, na Guatemala.

Família Botânica: Asteraceae (Compositae).

Parte Utilizada: Flor e caule.


Princípios Ativos: Óleo Essencial: 1,8-cineol, cariofileno, óxido de cariofileno, issognafalina, galangina, metil-éter de galangina, protocatequilcalerianina, cafeoilcalerianina, -cadineno, cariatina, italidipirona, D-germacreno, lauricepirona, -pineno, tamarixetina, alnustina, ácido cafêico, canfeno, mirceno, -terpineno, borneol, -terpineol, -gurjuneno,
-guaiano e -himachaleno; Flavonóides; Pigmentos Amarelos; Resinas; Taninos; Princípios Amargos; Ácidos Polifenólicos.

Indicações e Ação Farmacológica: A Marcela é indicada e, problemas digestivos, como flatulência, má digestão e diarréias; como calmante; nas inflamações e nas contrações musculares. Externamente é usada como estimulante da circulação capilar e como proteção para peles e cabelos delicados, além de ser usado contra a queda de cabelos.
Já é sabido que extratos de Marcela possui atividade antiherpética, antinflamatória local, antibacteriana, antimicótica, analgésica, antiespasmódica, antioxidante, miorelaxante e sedante. A atividade antiinflamatória tópica é devida a uma ação conjunta dos flavonóides quercetina-3-metiléter, luteolina e quercetina.
A ação antibacteriana é significativa sobre os agentes patogênicos que atacam a pele (principalmente o Staphylococcus aureus), sendo responsáveis por esta ação o ácido cafêico e o flavonóide quercetina presentes nos extratos aquosos. Comprovou-se também a ação sobre outros microorganismos como o Bacillus subtilis e o Micrococcus luteus.
Atribui-se aos ácidos polifenólicos contra a atividade antiherpética, possuindo a capacidade de reduzir a capacidade infectante dos vírus.
A fração polissacarídica da droga vegetal administrada via intra-peritoneal em ratos, é responsável por uma atividade imunoestimulante.
O extrato aquoso aplicado sobre organismos procariotos, obteve-se uma atividade mutagênica e genotóxica. O extrato etanólico das flores de Marcela numa concentração de 250 g/ml também manifestou mutagenicidade e efeitos líticos sobre o Trypanosoma cruzi, agente patogênico da Doença de Chagas.
Os flavonóides estimulam a circulação, reduzindo então a fragilidade capilar. É rapidamente absorvido pela pele e observou-se aumentar a circulação sanguínea periférica.
E por fim a atividade digestiva desta espécie não está ainda suficientemente esclarecida. Acha-se que os flavonóides e alguns compostos tânicos participariam da mesma.

Toxicidade/Contra-indicações: Não há referências na literatura consultada.

Dosagem e Modo de Usar:
• Uso Interno:
- Infusão: 20 gramas para 1 litro de água: 50 a 200 ml diários (para fins digestivos, antiespasmódicos e antiinflamatórios);
- Pó: até 2 gramas diárias com doses unitárias máximas de 0,5 grama;
- Extrato Seco: até 0,2 grama em doses de 0,05 grama.
- Tintura: 20 gramas das inflorescências em 100 ml de álcool 60º.

• Uso Externo:
- Cosméticos: Shampoos e Sabonetes: 2-5% do extrato glicólico.

Referências Bibliográficas:

• ALBINO, R. Pharmacopéia dos Estados Unidos do Brasil. 1ª edição. 1926.

• ALONSO, J. R. Tratado de Fitomedicina. 1ª edição. Isis Editora. Buenos
Aires 1998.

• TESKE, M.; TRENTINI, A. M. Herbarium Compêndio de Fitoterapia.
Herbarium. Curitiba. 1994.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Jatobá



Trata-se de uma árvore que mede de 6 a 9 metros de altura, apresentando folíolos de 7 a 15 centímetros, quase sésseis, largos, ovais ou oblongos e obtusos. As flores são brancas, em formato de cacho. Os frutos são vagens castanho-avermelhadas, apresentando várias sementes cobertas por uma polpa de cor amarelo-pálida. O tronco e os ramos secretam uma seiva, a qual se consiste uma goma resinosa, petrificando-se e tomando várias formas, algumas vezes semelhantes às do cristal. Existem várias espécies de Jatobá, as quais diferem-se pelo número de sementes e o aspecto da casca. Seu nome provém do tupi “Yataiwa”, que significa “árvore de fruto duro”.

Nome Científico: Hymenaea stigonocarpa Mart.
Observação: Outra espécie muito utilizada popularmente na terapêutica é a Hymenaea coubaril L., dentre outras espécies de Jatobá.

Nome Popular:.Jatobá, Jataí, Jetaí, Jutaí, Jataíba, Jatobá Capão, Jassaí, Jataí-acú, Jutaicí, Aboti-timbai, Jatobá de Casca Fina e Jutaicica, em português.

Família Botânica: Leguminosae-Caesalpinoideae.

Parte Utilizada: Casca do tronco.

Princípios Ativos: Óleo Essencial; Taninos; Substâncias Amargas; Matérias Resinosas e Pécticas; Amido e Açúcares.

Indicações e Ações Farmacológicas: Popularmente o Jatobá é empregado contra as hemorragias, diarréias, bronquites, tosses e catarros, disenterias e cólicas flatulentas, dentre outras aplicações. Apresenta propriedades adstringentes, vermífugas e peitorais. As cascas em decocção ou a seiva são empregadas nas inflamações da bexiga e da próstata.

Toxicidade/Contra-indicações: Não há referências nas literaturas consultadas.

Dosagem e Modo de Usar:
Popularmente, podemos destacar as seguintes preparações:
• Decocção: Ferver 20 gramas da casca de Jatobá em um litro de água durante 30 minutos. Deixar esfriar, coar e beber três xícaras ao dia (indicado para afecções da bexiga);
• Infusão: Uma colher de sopa da casca do ramo picada em uma xícara de chá de água fervente. Deixar por cinco minutos, esperar esfriar e coar. Tomar 1 xícara de chá de uma a três vezes ao dia.


Referências Bibliográficas:

• VIEIRA, L.S. Fitoterapia da Amazônia. Editora Agronômica Ceres. São Paulo.

• PANIZZA, S. Plantas que Curam (Cheiro de Mato). 7ª edição. 1997.

• CORRÊA, M. P. Dicionário das Plantas Úteis do Brasil. IBDF. 1984.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Hibiscus



Planta originária da Ásia tropical e Sudão, o Hibiscus é um arbusto anual caracterizado por apresentar uma altura de cerca de dois metros, caule avermelhado, robusto e quase glabro. As folhas caulinares são trilobadas, de 7-10 centímetros de diâmetro, enquanto que as basais são ovadas e sem divisão. As flores são sésseis, solitárias, com pétalas carnudas, que variam do amarelo róseo ao vermelho intenso. O fruto é uma cápsula ovóide, de 2 centímetros de comprimento.
Foi introduzido na Jamaica no século XVIII, sendo muito popular como um aromatizante ácido. Chegou a Europa nos fins do século XIX como uma bebida refrescante, mas a sua cor vermelha forte, parecida com sangue, não foi bem aceita. Porém atualmente faz parte da maioria dos chás aromáticos consumidos no continente europeu. Também esta espécie participa de cerimônias de devoção ao deus Ganesh na Índia.

Nome Científico: Hibiscus sabdariffa L. Sinonímia: Hibiscus acetosus Noronha; Hibiscus gossypiifolius Mill.; Hibiscus sanguineus Griff.; Sabdariffa rubra Kostel.

Nome Popular: Hibiscus, Azedinha, Carurú Azedo, Carurú da Guiné, Husa, Quiabo Azedo, Quiabo de Angola, Quiabo Róseo Quiabo Roxo e Vinagreira, no Brasil; Hibisco, Agio de Guiné, Flor de Jamaica, Jamaica, Viña, Viñuela, Té de Jamaica, Carcadé, em espanhol; Oseille de Guiné, Roselle e Karkadé, na França; Jamaica Sorrel, Red Sorrel e Sudanese Tea, em inglês; Carcade, na Itália; Karkade, na Alemanha.

Denominação Homeopática: SABDARIFFA.

Família Botânica: Malvaceae.

Parte Utilizada: Flor.

Princípios Ativos: Antocianidinas (1,5%): hibiscina, cianidina-3-sambubiosídeo e delfinidina; Mucilagens; Pigmento Flavônico: gosipetina; Ácidos Orgânicos (15%): cítrico, hibístico, málico e tartárico; Vitamina C; Pectina (2%); Fitosteróis: -sitosterol, campestrol, ergosterol e estigmasterol.


Indicações e Ação Farmacológica: É indicado no tratamento dos espasmos gastrintestinais, prisão de ventre, falta de apetite, dispepsias hiposecretoras, disquinesias hepatobiliares, gastroenterites, hipertensão, fragilidade capilar, varizes, hemorróidas, ansiedade, insônia, resfriados e gripes.
Como é comum na família das Malváceas a grande quantidade de mucilagens, esta espécie proporciona propriedades demulcentes úteis no caso de constipação e irritação das vias respiratória. Os flavonóides exibem uma atividade anti-espasmódica, colerética, hipotensora e diurética suave (Peris J. et al., 1995). Nesse sentido, o extrato aquoso demonstrou em animais de laboratório atividade anti-espasmódica ao nível da musculatura lisa intestinal (Ali M. et al., 1991).
O extrato hidroalcoólico, por sua vez, produziu uma ação inibidora sobre a enzima que converte a angiotensina I em angiotensina II, atividade esta que parece estar relacionada com a flavona gosipetina. Os extratos de Hibiscus têm demonstrado reduzir a taxa plasmática dos lipídeos totais, colesterol total e triglicerídeos por um mecanismo ainda não esclarecido, onde existiria um sinergismo com os fitosteróis, estimulando os sistemas enzimáticos do fígado, e, por outro lado obtendo uma maior eliminação de gordura ao nível intestinal, sinergizada com a atividade colerética dos flavonóides. Também se pode analisar uma redução do nível de transaminases e fosfatase alcalina em fígados inflamados (El Saadany S. et al., 1991).
As antocianidinas proporcionam um efeito vasodilatador periférico e angioprotetor. Neste último caso, pode-se observar que os flavonóides inibem as enzimas elastase, tripsina e -quimotripsina (Jonadet M. et al., 1990).
O extrato etanólico da planta inteira produziu efeitos hipoglicemiantes em ratos (Handa S. e Chawla Maninder A., 1989).

Toxicidade/Contra-indicações: Portadores de doenças cardíacas devem limitar o consumo. Não é recomendado o uso durante a gestação ou lactação pois foi identificada certa ação mutagênica em estudos preliminares com esta espécie.

Dosagem e Modo e Usar:
• Uso Interno:
- Infusão: Uma colher de sobremesa por xícara. Tomar três ou mais xícaras ao dia;
- Extrato Fluido (1:1): 30-50 gotas, uma a três vezes ao dia;
- Tintura (1:10): 50-100 gotas, duas ou três vezes ao dia, no início das refeições;
- Extrato Seco (5:1): 100-400 mg, uma a três vezes ao dia.

Referências Bibliográficas:
• ALONSO, J. R. Tratado de Fitomedicina. 1ª edição. Isis Editora. Buenos
Aires 1998.

• PR VADEMECUM DE PRECRIPCIÓN DE PLANTAS MEDICINALES. 3ª
edição. 1998.

• TESKE, M.; TRENTINI, A. M. Herbarium Compêndio de Fitoterapia.
Herbarium. Curitiba. 1994.

• SCHAWENBERG, P.; PARIS, F. Guia de las Plantas Medicinales. Omega.
1980.

• SOARES, A. D. Dicionário de Medicamentos Homeopáticos. 1ª edição. Santos
Livraria Editora. 2000.


Hera Terrestre


Apreciada desde a Alta Idade Média como planta medicinal, a Hera Terrestre era conhecida pelas propriedades peitoral e vulneraria. No século XVI, era aplicada nas feridas internas e externas e até mesmo era utilizada para combater a loucura.
Na Farmacopéia Francesa existe uma preparação onde a Hera Terrestre é um dos componentes, o chá-suíço, muito eficaz para a recuperação de qualquer tipo de comoção.
A Pharmacopeia dos Estados Unidos do Brasil 1ª edição (1926) descreve as partes aéreas desta espécie:
“O caule da hera terrestre é herbáceo, delgado, quadrangular, simples, radicante na base e direito na parte superior, de 15 a 30 cm de altura e guarnecido de folhas opostas, longamente pecioladas, muito distanciadas, reniformes suborbiculares, grosseiramente crenadas, de cor verde sombria ou às vezes arroxeada, mais clara em baixo e pubescentes sobre as nervuras. As flores, azuis ou purpurinas, são reunidas em número de 3 a 4 por glomérulo na axila das folhas superiores; o cálice tubuloso, estriado, apresenta 5 dentes desiguais; a corola, cujo tubo é dilatado acima do cálice, é bilabiada; os estames, em número de 4, são didínamos e suas anteras possuem lojas divergentes que se abrem por uma fenda longitudinal e interna; o gineceu compreende 2 carpelos antero-posteriores, separados um do outro, e cada um dos ovários é dividido por um fenda mediana profunda em 2 lojas mais ou menos distintas; no espaço que separa essas 4 divisões se insere um estilo ginobásico, encimado por 2 lobos estigmáticos; cada loja ovariana contém um óvulo ascendente, anátropo, de micrópilo externo.
Esta planta possui cheiro aromático pouco pronunciado na planta seca, e sabor balsâmico, amargo, levemente acre.”

Nome Científico: Glechoma hederacea L. Sinonímia: Nepeta glechoma Benth.; Calamintha hederaceae Scop.; Calamintha humilior Tourn; Chamaeclema hederacea Moench; Glechoma borealis Salisb.; Glechoma heterophylla Opiz; Glechoma hirsuta Waldst. et Kit.; Glechoma intermedia Schrad. ex Benth.; Glechoma lamiifolia Schur; Glechoma lobulata Kit.; Glechoma longicaulis Dulac; Glechoma magna Mérat; Glechoma micrantha Boenn. ex Rchb.; Glechoma repens Gilib.; Glechoma rigida A. Kern.; Glechoma rotundifolia Raf.; Hedera terrestris vulgaris Bauh.; Nepeta hederacea Trev.

Nome Popular: Hera Terrestre, Erva de São João, Erva Terrestre, Hera, Hortelã do Mato, Malvela e Sanguina, em português; Echter Gundermann, Erdepheu, Gundelrebe e Gundermann, na Alemanha; Jord-Verdbende, na Dinamarca; Hiedra Terrestre e Hierba de San Juan, em espanhol; Herbe de Saint-Jean, Herbe du Bonhomme, Lierre Terrestre, Rondelle e Rondote, na França; Aardevil, na Holanda; Alehoof, Cat’s-Foot, Field-Balm, Gell, Gill, Gill-Over-The-Ground, Ground Ivy, Hedge-Maids, Hove, Ivy-Ground, Tun-Hoof, Wild Snake-Root, em inglês; Corona di Terra e Edera Terrestre, na Itália; Bluszsz Poziemy, na Polônia; Jordrefvor, na Suécia.

Denominação Homeopática: GLECHOMA HEDERACEA.

Família Botânica: Labiatae.

Parte Utilizada: Caule e folha.

Princípios Ativos: Aminoácidos: ácido asparagico, ácido glutâmico, prolina, tirosina, valina; Flavonóides: principalmente os glicosídeos da luteolina, apigenina e quercetina incluindo a luteolin-7-glucobiosideo (cynarosídeo), hiperosídeo, apigenin-7-glicosídeo (cosmosiina) e isoquercitrina; Triterpenóides: incluindo os ácidos, oleanólico, - e -ursólicos e -sitosterol. Investigações na planta inteira revelaram 2- e 2-hidroxiursólico, ácido oleanólico e uvaol; Ácidos Fenólicos: clorogênico, cafêico e rosmarínico; Óleo Essencial: constituído por um sesquiterpeno: glechomafurano e por vários componentes terpenóides, dentre eles: p-cimeno, linalool, limoneno, mentona, -pineno, -pineno, pinocamfona, pulegona e terpineol; Princípio Amargo: marrubiína (uma lactona diterpênica) e glechomina; Saponinas; Taninos.


Indicações e Ações Farmacológicas: A Hera Terrestre é indicada nos estados de gripe, resfriado, faringite, bronquite, asma, colite, ferida e furúnculos. Popularmente é utilizada como sedativo, antidiarréico e contra as afecções urinárias.
As ações da Hera Terrestre conferem: expectorante, anticatarral, adstringente, vulneraria, diurética e antiinflamatória, dentre outras.
A marrubiína é responsável pela ação fluidificante das secreções mucosas e é expectorante. Os taninos promovem atividade adstringente e cicatrizante. Os ácidos fenólicos exercem uma ação anti-séptica.
Estudos em animais in vivo reportaram atividade antiinflamatória em m extrato etanólico de Hera Terrestre, o qual exibiu inibição moderada de edema em induzido por carragenina em pata de ratos.
Os ácidos 2- e 2-hidroxiursólico, demonstraram possuir atividade protetora de úlceras em ratos.
As propriedades antiinflamatória e adstringente são geralmente associadas com os flavonóides e taninos respectivamente. Também é atribuída ao ácido rosmarínico a propriedade antiinflamatória.

Toxicidade e Contra-indicações: Envenenamento em bovinos e eqüinos foram registrados na Europa. Os sintomas incluem aceleração da pulsação, dificuldade em respirar, hemorragia conjuntival, temperatura elevada, tontura, aumento do baço, dilatação do ceco, e gastroenterite revelada post mortem. Atividade anti-tumoral e citotoxicidade tem sido demonstrado pelos ácidos olenólico e ursólico.
O óleo essencial da Hera Terrestre contém muitos terpenóides, sendo desta forma muito irritante para o trato gastrintestinal e rins. A pulegona é um princípio irritante, hepatotóxico e abortivo constituinte do Poejo. Entretanto, comparando as porcentagens de óleos essenciais nestas duas espécies verifica-se que o teor total é de 0,03-0,06% na Hera Terrestre e 1-2% no Poejo.
A Hera Terrestre é contra-indicada na epilepsia. Doses elevadas podem ser irritantes para a mucosa gastrintestinal e deve ser evitada para indivíduos que possuam algum distúrbio renal. Também deve ser evitado o uso durante a gravidez e a lactação.

Dosagem e Modo de Usar:
• Uso Interno:
- Infusão: 2-4 gramas, três vezes ao dia;
- Extrato Fluido (1:1 em álcool 25%): 2-4 ml três vezes ao dia;
- Tintura (1:5): 50-100 gotas, uma a três vezes ao dia;

• Uso Tópico:
- Decocção: 30 a 50 g/l, sob a forma de cataplasmas.


Referências Bibliográficas:
• PR VADEMECUM DE PRECRIPCIÓN DE PLANTAS MEDICINALES. 3ª edição.
1998.

• ALBINO, R. Pharmacopeia dos Estados Unidos do Brasil. 1ª edição. 1926.

• SOARES, A. D. Dicionário de Medicamentos Homeopáticos. 1ª edição. Santos
Livraria Editora. 2000.

• British Herbal Compendium. 1st edition. Volume 1. BHMA. 1992.

• NEWALL, C. A.; ANDERSON, L. A.; PHILLIPSON, J. D. Herbal Medicines - A
guide for health-care professionals. 1ª edição. Londres. 1996.

• Segredos e Virtudes das Plantas Medicinais. Reader’s Digest do Brasil. 1ª edição.
1999.

Guaçatonga



Arbusto ou árvore encontrada em quase todo o Brasil, que mede até 10 metros de altura. Sua casca é cinéreo-pardacenta, rugosa e com pequenas fendas quase superficiais.
Suas folhas são alternas, pecioladas, lanceoladas até ovadas ou elíticas, agudas até longo-acuminadas no ápice, estreitas ou arredondadas na base, chegando a medir 14 centímetros de comprimento e 3 centímetros de largura, serreado-dentadas ou sub-inteiras, densa e minusculamente pelúcido-glanduloso-puntuadas e com linhas também pelúcidas, nervuras laterais 5-8, glabras. Vistas contra a luz, mostram minúsculos pontos translúcidos, que correspondem às glândulas de óleo essencial.
As flores são numerosas e pequenas, de cor branco-esverdeada ou amarelada, com anteras brancas, estigma trilobado, dispostos em cimeiras axilares de 20-50 flores. Elas exalam um forte aroma.
O fruto é uma cápsula ovóide-globosa, pequena, vermelha quando madura, contendo em seu interior 2-6 sementes em volta em arilo lanoso, amarelo e comestível.
É conhecida principalmente por Guaçatonga, palavra de origem na língua tupi-guarani, indicando o conhecimento desta espécie pelos nossos índios.

Nome Científico: Casearia sylvestris Swartz. Sinonímia: Casearia parviflora Willd.; Anavinga samyda Gaertn.; Casearia punctata Spreng; Samyda parviflora L.

Nome Popular: Guaçatonga,Apiá-açonoçú, Baga-de-pomba, Bugre-branco, Café-bravo, Café-de-fraile, Café-do-diabo, Cafezeiro-bravo, Cafezeiro-do-mato, caimbim, Caroba, Carvalinho, Chá-de-bugre, Chá-de-frade, Chá-de-são-gonçalinho, Erva-de-pontada, Erva-de-bugre, Erva-de-largarto, Estralador, Fruta-de-saíra, Gaibim, Gaimbim, Guaçatunga, Guaçatunga-branca, Guaçutonga, Guaçutunga, Guassatonga, Língua-de-lagarto, Língua de tiú, Marmelada-vermelha, Marmelinho-do-campo, Pau-de-bugre, Petumba, Pioia, Pióia, Pombeiro, Quacitunga, Vacatunga, Vassitonga e Vassatunga, no Brasil; Avanti-timbatí, Guatiguá-blanca, Catiguá-obí e Guazatumba, na Argentina.

Observação: Segundo M. Pio Côrrea (Dicionário de Plantas Úteis do Brasil), tanto a espécie Casearia sylvestris Swartz, quanto a espécie Cordia salicifolia Cham. (sinonímia: Cordia eucalyculata Vell.), são conhecidas no Brasil por Chá de Bugre. Desta forma, surgiram confusões, principalmente com o aparecimento de produtos feitos de Porangaba, outra sinonímia popular da espécie Cordia eucalyculata Vell.
Assim, para evitar esta confusão, optou-se por chamar de “Guaçatonga” a espécie Casearia sylvestris Swartz e a espécie Cordia eucalyculata Vell. de “Chá-de-bugre” (também conhecida por Porangaba).

Família Botânica: Flacourtiaceae.

Parte Utilizada: Folha.

Princípios Ativos: Óleo Essencial: apresenta aroma agradável e com alto teor de terpenos e ácido capróico; Saponinas; Alcalóides; Flavonóides; Taninos; Antocianosídeos.


Indicações e Ação Farmacológica: É usada no tratamento de úlceras estomacais, febre, inflamações, diarréias, dores no peito e no corpo. Externamente é indicada para a cura de feridas, eczemas, pruridos, picadas de insetos e cobras e outros distúrbios da pele, além dos distúrbios da orofaringe, tais como aftas, herpes e mau hálito.
Apresenta propriedades depurativa, anti-reumática, vulnerária, cardiotônica, antiobésica, diurética, antiartrítica, hemostática, anestésica tópica em lesões da pele, anticolesterolêmica, afrodisíaca, antipirética, cicatrizante, anti-séptica, eupéptica, anti-herpética, antiulcerogênica, antiofídica, antidiarréica, antimicrobiana, fungicida e calmante.
O extrato etanólico das folhas apresentaram uma ação antitumoral em ratos na dose de 100 mg/kg i.p.contra o sarcoma 180. O extrato etanólico a 70% das folhas secas demonstraram atividade cicatrizante em ratas. O extrato aquoso da planta apresentou ação antiofídica ao veneno de Bothrops jararaca e o óleo essencial teve um efeito inibidor dos processos induzidos pelo veneno de Bothrops alternatus.
Além disso, reduz o volume de ácido clorídrico produzido no estômago e desta forma promove uma ação anti-gástrica pronunciada. Não interfere também no processo de digestão e nem na absorção das proteínas. Promove a prevenção da irritação da mucosa gástrica induzida pelo stress.
A presença de óleo essencial nesta espécie é responsável pela atividade anti-séptica, antimicrobiana e fungicida.

Toxicidade/Contra-indicações: Os extratos aquosos das folhas demonstraram atividade sobre a musculatura lisa uterina em ratas, podendo portanto explicar a sua ação abortiva. A DL50 em ratos foi estimada em 1792g do extrato seco/kg.
É contra-indicado o uso durante a gravidez e como há falta de referências quanto a utilização durante a lactação, recomenda-se não usar.

Dosagem e Modo de Usar:

• Uso Interno:
- Infusão ou Decocção: a 5%, 50 a 200 ml/dia;
Colocar 10 gramas de folhas frescas ou secas em 200 ml de água quente. Tomar 2 xícaras por dia da infusão para úlceras e problemas digestivos;
- Extrato Seco: 57,5 mg/kg;
- Extrato Fluido: 2 a 10 ml/dia;
- Tintura: 10 a 50 ml/dia

• Uso Externo:
- Compressa: Ferver durante 10 minutos 30 gramas de folhas de Guaçatonga com 10 folhas de Confrey em 1 litro de água. Coar e aplicar compressas sobre eczemas;
- Alcolatura: Macerar por 5 dias 20 gramas de folhas em meio copo de álcool neutro. Coar e aplicar topicamente nas picadas de inseto. O preprado deve ser mantido em locais frescos e em frascos frescos e escuros.
- Maceração: Num pilão, coloque 2 colheres de sopa de folhas frescas, 1 colher de
sopa de glicerina e 2 colheres de sopa de álcool. Amasse bem e coe. Aplique com um chumaço de algodão a parte afetada, de 2 a 3 vezes ao dia. É válido para gengivite, estomatite, aftas e feridas.


Referências Bibliográficas:

• CORRÊA, M. P. Dicionário das Plantas Úteis do Brasil. IBDF. 1984.

• TESKE, M.; TRENTINI, A. M. Herbarium Compêndio de Fitoterapia.
Herbarium. Curitiba. 1994.

• PANIZZA, S. Plantas que Curam (Cheiro de Mato). 7ª edição. 1997.

• Internet:
www.unesc.rct-sc.br/plantas_medicinais;

terça-feira, 17 de março de 2009

Dente de Leão



Apesar da Medicina o desprezar, o Dente de Leão continua a curar oficiosamente os doentes. Sua importância e prestígio aumentaram bastante a partir do século vinte, de modo que em todas as terapêuticas em que era utilizado passaram a chamar-se Taraxacoterapias, denominação proveniente do seu outro nome popular muito utilizado: Taraxaco.
É uma planta que cresce em toda a parte, durante quase todo o ano, perene, fechando-se durante a noite e abrindo-se ao alvorecer. De porte herbáceo, mede de 5 a 50 cm de altura; possui folhas em roseta basilar densa, glabras, compridas, diversamente roncinadas (com os segmentos laterais virados para a base); flores de um amarelo intenso, liguladas, formando um grande capítulo num comprido pedúnculo radical, liso, oco; fruto do tipo aquênio cinzento-azulado, oblongo-fusiforme, um pouco espinhoso na extremidade superior; rizoma espesso; grossa raiz aprumada, castanho-escura e esbranquiçada no corte. Possui espécies de variedades gigante e anã. De origem européia, hoje é aclimatada em todo o mundo.

Nome Científico: Taraxacum officinale Weber. Sinonímia: Leontodon taraxacum L; Taraxacum densleonis Desf.

Nome Popular: Dente de Leão, Taraxaco, Alface de Cão, Dente de Leão dos Jardins, Salada de Toupeira, Alface de Coco, Coroa de Monge, Frango, Quartilho, Amor dos Homens, Chicória Louca, no Brasil; Diente de León, Achicoria Amarga, Taraxacón, Amargón, em língua espanhola; Diente di Leone, Tarassaco, em italiano; Pissenlit, Dent-de-lion, em francês; Dandelion, em inglês; Löwenzahn, Kuhblume, em alemão.

Denominação Homeopática: TARAXACUM.

Família Botânica: Asteraceae (Compositae).

Parte Utilizada: As partes aéreas da planta (talo, folha e flor) e raiz.

Princípios Ativos: Inulina (2% nas raízes); Resinas; Derivados Terpênicos: -sitosterol e estigmasterol; Flavonóides; Vitaminas A, B1, C, PP e D; Princípio Amargo: taraxacina; Ácidos: cafêico, cítrico, feniloacético, p-hidroxibenzóico; Glicosídeo: taraxacosídeo; Potássio.

Indicações e Ações Farmacológicas: É indicado para pessoas predispostas ou que possuam cálculo biliar, coleocistite, inapetência, oligúria, problemas hepáticos, cirrose e desordens hepatobiliares. É uma das ervas mais seguras como diurética, utilizada em tratamentos de afecções genitourinárias: cistites, uretrites e também na hipertensão arterial. É coadjuvante no tratamento da obesidade, problemas dermatológicos, dispepsia, hipoacidez gástrica e desordens reumáticas.
A presença de potássio e flavonóides asseguram a ação diurética do Dente de Leão, sendo o potássio responsável por um melhor controle dos níveis de espoliação pela via urinária e os flavonóides pelo aumento da diurese. A inulina presente reforça os efeitos
diuréticos e colerético da erva. Os terpenos em sinergismo com as lactonas são responsáveis pela ação colagoga, favorecendo a eliminação pela via biliar de numerosos catabólitos. Possui moderada ação antiinflamatória, sendo útil em desordens reumáticas. O princípio amargo, taraxacina, é o responsável pela estimulação da digestão e da secreção gástrica. Por sua ação depurativa, utiliza-se esta erva em tratamentos de afecções cutâneas como acne, eczemas, herpes, psoríase, etc. Em problemas hepatobiliares pode ser associada a Bérberis (Berberis vulgaris), também chamado de Agracejo em espanhol, e para retenção de líquidos com Milefólio (Achillea millefolium).

Toxicidade/Contra-indicações: O uso de diuréticos em indivíduos hipertensos deve ser somente feito sob orientação médica, pois há a probabilidade de aparecimento de uma descompensação tensional e a potencialização do efeito de cardiotônicos.
A presença de substâncias amargas pode causar moléstias gástricas e hiperacidez. Para evitar este acontecimento, recomenda-se a associação com drogas mucilaginosas como a Altéia (Althea officinalis).
É uma erva de baixa toxicidade, com DL50 em camundongos de 59g/Kg. Nos testes de toxicidade, apenas discretos efeito colateral foi evidenciado, incluindo pirose e diarréia. A erva deve ser usada com cuidado em pacientes com história de hérnia de hiato e esofagite.

Dosagem e Modo de Usar:
• Uso Interno:
- Decocção (raízes e folhas): uma colher de sopa por vez, três vezes ao dia, antes das refeições.
- Infusão: 10g de folhas por litro de água. Tomar três xícaras de chá por dia, preferencialmente sem adoçante.
- Extrato Fluido (1:1): 40 a 60 gotas, três ou quatro vezes ao dia.
- Tintura (1:10): 50-100 gotas, uma a três vezes ao dia.
- Extrato Seco (5:1): 0,5 a 2 gramas ao dia (1grama equivale a cinco gramas da planta seca).
- Crianças: metade da dose para adultos.

Referências Bibliográficas:

• PR VADEMECUM DE PRECRIPCIÓN DE PLANTAS MEDICINALES. 3ª
edição. 1998.

• TESKE, M.; TRENTINI, A. M. Herbarium Compêndio de Fitoterapia.
Herbarium. Curitiba. 1994.

• Segredos e Virtudes das Plantas Medicinais. Reader’s Digest do Brasil. 1ª edição.
1999.

• CORRÊA, M. P. Dicionário das Plantas Úteis do Brasil. IBDF. 1984.

• SOARES, A. D. Dicionário de Medicamentos Homeopáticos. 1ª edição. Santos
Livraria Editora. 2000.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Chapéu de Couro


O Chapéu de Couro é uma erva ereta nativa da flora brasileira. As suas folhas, parte utilizada na terapêutica, são simples, ovais, apresentando a base cordiforme e aguda ou acuminata no ápice. O seu limbo é inteiro, de coloração verde-escura, em geral com cerca de 20 a 40 centímetros de comprimento por 15 a 35 centímetros de largura na região próxima à base, de superfície rugosa, áspera, pedatinérvea, com 11 a 13 nervuras principais, salientes na página inferior. O pecíolo é longo, coriáceo, chegando a medir até 70 centímetros de comprimento, sulcado longitudinalmente e provido de estrias longitudinais. Ao examinar contra luz, o limbo mostra minúsculos pontos transparentes.

Nome Científico: Echinodorus macrophyllus (Kunth) Micheli Sinonímia: Alisma macrophyllus Kunth.; Alisma folliscordatis-obtusis Plum.; Alisma cordifolium L.; Alisma berteroanum Balbis.

Nome Popular: Chapéu de Couro, Chá Mineiro, Chá de Campanha, Chá do Pobre, Erva do Brejo e Erva do Pântano, em português.

Família Botânica: Alismataceae.

Parte Utilizada: Folha.

Princípios Ativos: Alcalóides; Glicosídeos: equinodorosídeo.


Indicações e Ações Farmacológicas: O Chapéu de Couro é utilizado nas afecções das vias urinárias, reumatismos, artrite, eczemas e furúnculos.
São atribuídas as propriedades diurética e depurativa.

Toxicidade/Contra-indicações: Não há referências nas literaturas consultadas.

Dosagem e Modo de Usar:
Coimbra (ver referências bibliográficas) aponta as seguintes preparações:
• Infusão ou Decocto a 5%: de 50 a 200 cc por dia;
• Extrato Fluido: de 2 a 10 cc por dia;
• Tintura: de 10 a 50 cc por dia.


Referências Bibliográficas:
• COIMBRA, R. Manual de Fitoterapia. 2ª edição. Cejup. 1994

• COSTA, A. F. Farmacognosia. Lisboa. Fundação Gulbenkian Calouste. 1994.

• OLIVEIRA, F.; AKISUE, G.; AKISUE, M. K. Farmacognosia. 1ª edição. 1996.

• OLIVEIRA, F.; AKISUE, G.; Fundamentos de Farmacobotânica. 2ª edição. 1997.

• Farmacopéia dos Estados Unidos do Brasil. 2ª edição. 1959.

Chá de Bugre



Arbusto grande ou árvore pequena, chegando a medir até 6 metros de altura e 20 centímetros de diâmetro. Possui casca pardo-vermelho-escura, pouco espessa e com numerosas fendas pequenas. As folhas são alternas, lanceoladas, glabras, luzidias, verde-escuras na página superior e um pouco ásperas na página inferior. As flores são brancas, campanuladas, dispostas em corimbos. O fruto é uma drupa globosa, vermelha, com a aparência do café. É bastante ornamental e de rápido crescimento.
No Brasil é encontrado nos estados de Minas Gerais, Baia, Acre e Goiás. É encontrado também na Argentina e no Paraguai.

Nome Científico: Cordia ecalyculata Vell. Sinonímia: Cordia salicifolia Cham.; Cordia digynia Vell.; Cordia leptocaula Fresen.; Cordia glaziovii Taub.

Nome Popular: Chá de Bugre, Porangaba, Claraíba, Café-de-bugre, Louro-salgueiro e Louro-mole, no Brasil; Araticú-guassú, na Argentina.

Observação: Segundo M. Pio Côrrea (Dicionário de Plantas Úteis do Brasil), tanto a espécie Casearia sylvestris Swartz, quanto a espécie Cordia salicifolia Cham. (sinonímia: Cordia eucalyculata Vell.), são conhecidas no Brasil por Chá de Bugre. Desta forma, surgiram confusões, principalmente com o aparecimento de produtos feitos de Porangaba, outra sinonímia popular da espécie Cordia eucalyculata Vell.
Assim, para evitar esta confusão, optou-se por chamar de “Guaçatonga” a espécie Casearia sylvestris Swartz e a espécie Cordia eucalyculata Vell. de “Chá-de-bugre” (também conhecida por Porangaba).

Família Botânica: Boraginaceae.

Parte Utilizada: Folha.

Princípios Ativos: Alantoína, Cafeína e Potássio.

Indicações e Ações Farmacológicas: O Chá de Bugre, por ser diurético, é utilizado para reduzir o peso e como supressor do apetite. Acredita-se também que ajude a reduzir a celuite. Em 1990, no Japão, cientistas demonstraram que 2,5 mcg/ml de extrato fluido da folha reduziram a capacidade de penetração do vírus da Herpes do tipo 1. Em 1997, pesquisas com coelhos e porcos da Guinea, indicaram propriedades cardiotônicas com a administração das folhas do Chá de Bugre.

Toxicidade/Contra-indicações: Não foram encontradas referências nas literaturas consultadas.

Dosagem e Modo de Usar: Não foram encontradas referências nas literaturas consultadas.

Referências Bibliográficas:

• CORRÊA, M. P. Dicionário das Plantas Úteis do Brasil. IBDF. 1984.

• Internet:
www.rain-tree.com/chadebugre, site que cita as seguintes referências:
1. Bernardes, Antônio, A Pocket Book of Brazilian Herbs, Editora e Arta Ltda,
1984.
2. Hayashi K., et al., Antiviral activity of na extract of Cordia salicifolia on herpes simplex virus type 1. Planta Med, 56:5 Oct, 439-43.
3. Matsunaga, K. et al., Excitatory and inhibitory effects of paraguayan medicinal plants Equisetum gigateum, Acanthpspermum australe, Allophylus edlis and Cordia salicifolia on contraction of rabbit aorta and guinea-pig left atrium. Natural Medicines, 51, 478-481 (1997).

terça-feira, 10 de março de 2009

Pitanga



Nativa do Brasil, a Pitanga foi levada pelos portugueses para a África e Ásia no século XIX. Seu nome provém do tupi pi’tãg, que significa vermelho.
É uma árvore que mede entre 6 e 12 metros de alturam dotada de copa mais ou menos piramidal. O tronco é tortuoso e um pouco sulcado, de 30-50 centímetros de diâmetro, com casca descamante em placas irregulares. As folhas são simples, levemente discolores, glabras, brilhantes na face superior, de 3-7 centímetros de comprimento por 1-3 centímetros de largura. As flores são brancas, solitárias ou em grupos de 2-3 nas axilas da extremidade dos ramos. O fruto é uma drupa globosa achatada e sulcada, glabra, brilhante, vermelha, amarela ou preta quando madura, de polpa carnosa e comestível, contendo 1-2 sementes.

Nome Científico: Eugenia uniflora L. Sinonímia: Eugenia micheli Lam.; Stenocalyx micheli (Lam.) O. Berg.; Stenocalyx brunneus O. Berg.; Stenocalyx affinis O. Berg.; Stenocalyx strigosus O. Berg.; Stenocalyx impunctatus O. Berg.; Stenocalyx glaber O. Berg.; Stenocalyx lucidus O. Berg.; Stenocalyx dasyblastus O. Berg.; Eugenia costata Camb.; Myrtus brasiliana L.; Plinia rubra L.; Plinia penduculata L.; Eugenia indica Mich.

Nome Popular: Pitanga, Pitangueira, Pitangueira-vermelha, Pitanga-roxa, Pitanga-branca, Pitanga-rósea, Ginja, Ibipitanga, Pintangatuba, Ubipitanga e Pitanga-do-mato, em português; Surinam Cherry, em inglês; Nangaripé, no Uruguai.

Família Botânica: Myrtaceae.

Parte Utilizada: Folhas.

Princípios Ativos: Óleo Essencial: carvona, pulegona e mentol; Taninos.


Indicações e Ação Farmacológica: A família Myrtaceae é caracterizada por apresentar plantas ricas em óleos essenciais as quais são distribuídas nos trópicos. Inclusa nesta família está a Eugenia uniflora L. A planta é reportada como efetiva contra todas as desordens do trato digestivo (Copperti e Gonzalez, 1922). O primeiro estudo biológico realizado sobre a Eugenia uniflora indicou que o óleo essencial dos frutos e das folhas da Eugenia uniflora exibiram inibição variável do crescimento de bactérias e fungos (Adebajo et al., 1989). Ademais, o solvente orgânica dos extratos demonstraram exercer alguma atividade antimicrobiana (Adebajo et al., 1989). Alguns estudos (Gbolade and Adebayo, 1993) descreveram atividades inseticidas do óleo essencial de E. uniflora contra o Callosobruchus maculatus.







Um estudo realizado na Nigéria, publicado em 1996, descreve os efeitos contráteis do extrato de Eugenia uniflora no duodeno isolado de ratos. Para este estudo foram coletadas as folhas da Pitangueira no campus da Obafemi Awolowo University, no herbarium da Faculty of Pharmacy. Após secas a 50ºC, as folhas foram submetidas a extração exaustiva em um Soxlet com n-hexano, clorofórmio, acetato de etila e metanol; e separadamente concentrados para secar a vácuo. O óleo essencial foi isolado (0,38% v/w) das folhas secas por hidrodestilação.
Cinco gramas dos extratos de acetato de etila e de metanol foram adicionados separadamente a 10 ml de água destilada em um tubo de vidro com tampa e adequadamente misturados para obter uma solução aquosa. Da mesma forma, 5 gramas de extratos de clorofórmio e hexano foram dissolvidos em dimetilsulfóxido (DMSO) e então completado o volume até 10 ml de água destilada, formando uma solução saturada. Uma solução estoque de cloreto de acetilcolina (Ach, 2,2x10-4 M) foi preparada com água destilada. No caso do óleo essencial, 1 ml de óleo essencial + 1 ml de DMSO + 8 ml de água destilada forma misturados juntos para formar uma solução.
Utilizaram-se ratos albinos, pesando entre 180-250 gramas de ambos os sexos. Cada animal foi cuidadosamente morto e dissecado e o duodeno isolado. O órgão isolado foi fixado em um banho de 50 ml de uma solução fisiológica contendo NaCl 137, KCl 2,7, NaH2PO4 0,3, MgCl2 0,9, CaCl2 1,8, NaHCO3 11,9 e glicose 5,6 mM/l; sobre uma condição de repouso colocou-se 1,0 grama total dos extratos, deixando em equilíbrio durante 30 minutos, onde as doses variaram entre 0,2%-3,2% v/v e 0,01%-0,8% v/v das soluções saturadas dos extratos residuais e do óleo essencial respectivamente. Um tempo de contato de 1 minuto foi realizado para cada dose de cada fração de extrato residual e de óleo essencial. As respostas foram registradas num quimógrafo em baixa rotação. A 5-hidroxitriptamina (10-6 M) foi incorporada na solução fisiológica para aumentar o tônus basal do tecido.
Nesta investigação, foram observadas respostas contráteis do duodeno para a droga referência, (ACh) seguindo a concentração normal padrão do tecido. Com a adição de 5-hidroxitriptamina (10-6 M) na solução fisiológica que contém o duodeno da cobaia, houve uma consistente resposta para a ACh e para os extratos da planta. O extrato de acetato de etila na concentração mínima final (0,2% v/v) e os extratos de metanol e de clorofórmio (0,8% v/v cada) promoveram respostas 50% de resposta máxima da acetilcolina. Com relação ao extrato de hexano, todas as respostas obtidas foram abaixo de 50% de resposta máxima para a acetilcolina.
O extrato de acetato de etila produziu claras distinções na resposta contrátil em relação à ACH, em doses maiores que 0,4% v/v e promoveu respostas marcadamente altas tanto quanto a resposta máxima da ACh. Isto sugere a presença de altas quantidades de princípios ativos contráteis no extrato de acetato de etila.




Com relação ao óleo essencial, altas concentrações deste nas preparações no mesmo tecido, foi observada que as contrações espontâneas no tecido decresceram. As respostas do tecido à droga de referência (nas mesmas concentrações) foram abolidas após repetidos contatos com a preparação do óleo volátil com o tecido. A atividade contrátil demonstrada pelos extratos das folhas é obviamente inexistente no óleo essencial. O óleo essencial da Pitanga talvez contenha algum princípio anticolinérgico. A atividade farmacológica do óleo da E. uniflora parece se assemelhar com o óleo essencial de Rosimarinus officinalis (Alecrim) (Aqel, 1992). Isto talvez seja a base para o uso na medicina tradicional para o tratamento das disordens do trato digestivo, tais como a constipação. Esta investigação é um estudo farmacológico preliminar da Eugenia uniflora. Estudos mais aprofundados estão sendo direcionados para isolar o princípio contrátil que compõe o extrato de acetato de etila (Gbolade, A. A.; Ilesanmi, O. R.; Aladesanmim, A. J., 1996).
Uso Popular: A Medicina Popular aponta para o chá de suas folhas, sendo este febrífugo, principalmente utilizado nas febres palustres, adstringente e servindo para a atonia do aparelho digestivo. Faz-se menção também para uso nas bronquites, tosses e hipertensão arterial.

Toxicidade/Contra-indicações: Não há referências nas literaturas consultadas.

Dosagem e Modo de Usar:
Medicina Popular:
Febres Palustres: Colocar 10 gramas de folhas de Pitanga em 200 gramas (200 ml) de água fervente. Amornar, coar e tomar;
Diarréia Infantil: Colocar em 10 gramas de casca de Pitanga 250 gramas (250 ml) de água fervendo. Deixar em repouso por uns 10 minutos; coar, adocicar e administrar em colheres de sopa;

Referências Bibliográficas:
GBOLADE, A. A.; ILESANMI, O. R.; ALADESANMI, A. J. The Contractile Effects of the Extracts of Eugenia uniflora on Isolated Rat Duodenum, Phytoterapy Research, vol. 10, pág.: 613-615, 1996.

Segredos e Virtudes das Plantas Medicinais. Seleções do Reader’s Digest. 1ª
edição. 1983.

COIMBRA, R. Manual de Fitoterapia. 2ª edição. 1994.

PANIZZA, S. Plantas que Curam (Cheiro de Mato). 7ª edição. 1997.

VIEIRA, L. S. Fitoterapia da Amazônia, 2ª edição, Editora Ceres, 1992.





LORENZI, H. Árvores Brasileiras, Manual de Identificação e Cultivo de Plantas
Árboreas do Brasil, vol. 1, 1998.

Noz Moscada



Trata-se de uma árvore perene que se adapta a vários tipos de solo, necessitando de iluminação plena. Não tolera ventos, nem secas prolongadas. Pode atingir até 10 metros de altura, possui folhas verdes e oblongas; flores pequenas e amareladas; fruto vermelho de aroma muito agradável e que apresenta uma semente dura. Esta semente dura, é que constitui a droga, caracterizada por ser ovóide ou elipsóide, de 25 a 30 mm de comprimento por 15 a 20 mm de largura, de cor parda-clara a parda-escura, grosseiramente rugosa e sulcada em todos os sentidos; numa de suas extremidades acha-se uma larga verruga clara, que corresponde ao hilo, da qual parte uma fenda estreita que se prolonga até a chalaza. Seu corte transversal apresenta as dobras pardo-avermelhadas das linhas esbranquiçadas do endosperma germinativo; a secção longitudinal mostra, próximo do hilo, um pequeno embrião, formado de eixo radículo-caulicular muito curto encimado por uma gêmula e dois cotilédones em forma de taça. Vale a pena lembrar que a semente quando transformada em droga é privada de seu tegumento e de seu arilo, aproveitando-se apenas a amêndoa.
A droga possui cheiro forte, aromático, muito agradável e sabor picante e fracamente amargo.
É muito empregada em condimento aromático culinário e para o fabrico de licores e digestivos.




Nome Científico: Myristica fragrans Houttuyn. Sinonímia: Myristica moschata Thumb.; Myristica aromática Lam.; Myristica officinalis L.

Nome Popular: Noz Moscada e Noz Moscadeira, no Brasil; Notemuskaat, na Holanda; Nutmeg, em inglês; Nuez Moscada e Moscada, em espanhol; Noix de Muscade e Muscade, na França; Rou dou kou, Jon tau kau e Tau kau, na China; Mustkatnut e Muskatennusse na Alemanha; Jaiphal e Taifal, na Índia; Nikuzuku, no Japão; Muskatniy Orekh, na Rússia; Muskotnöt, na Suécia; Noce Moscata, na Itália; Basbasa e Josal al Teeb, em árabe; Pala, na Indonésia.

Denominação Homeopática: NUX MOSCHATA.

Família Botânica: Myristicaceae.

Parte Utilizada: A amêndoa.

Princípios Ativos: Óleo Essencial: hidrocarboneto terpênicos (pineno, canfeno, sabineno, dipenteno, cimeno, alfa-tuiona e terpineno), álcoois terpênicos: (borneol e geraniol), eugenol, safrol e miristicina; Matéria Graxa: miristina, glicerídeos dos ácidos oléico, linolênico, palmítico e mirístico.




Indicações e Ação Farmacológica: É indicada na inapetência, diarréias e enterocolites. Topicamente, em halitoses, inflamações osteoarticulares e dores musculares.
É estimulante do apetite, digestivo, anti-séptico, colerético e estimulante do sistema nervoso central. Quando aplicado topicamente, observa-se um efeito rubefasciente sobre a pele. Tem ação antiinflamatória.
Em Perfumaria os perfumes adotam notas temperadas.
A miristicina possui ação moderada ação inibidora da monoaminooxidase e potencializa a ação da triptamina. Além disso, a miristicina pode ser metabolizada a trimetoxianfetamina, que possui ação agonista simpatomimética. O efeito inibidor da monoaminooxidase em presença de substâncias análogas da serotonina pode acarretar em contrações uterinas, podendo causar desta forma um efeito de indução ao aborto.
Os óleos essenciais da Noz Moscada produzem um efeito bloqueador da síntese de prostaglandinas, produzindo portanto um efeito antiinflamatório.
Em doses baixas, a Noz Moscada causa um estímulo da secreção gástrica, aumentando o peristaltismo e melhorando o apetite do indivíduo.

Toxicidade/Contra-indicações: Admite-se que uma dose de uma ou mais colheres de chá provoca alucinações 2 a 5 horas após a ingestão. A sintomatologia inclui também cefaléia, náuseas, taquicardia, distúrbios de percepção e desorientação. O principal componente responsável pelos efeitos tóxicos é a miristicina. A DL 50 em camundongos é inferior a 1g/kg.
É contra-indicado na gravidez, por ser abortivo; na lactância, para crianças menores de 6 anos de idade ou pacientes com doenças neurológicas, além do uso tópico em pessoas com alergias respiratórias a óleos essenciais.

Dosagem e Modo de Usar:
· Uso Interno:
- Cápsulas: 50 mg/cápsula, duas ou três vezes ao dia.

· Uso Externo:
- Linimento.
Referências Bibliográficas:

PR VADEMECUM DE PRECRIPCIÓN DE PLANTAS MEDICINALES. 3ª
edição. 1998.

COIMBRA, R. Manual de Fitoterapia. 2ª edição. 1994.

BOTSARIS, A. S. Fitoterapia Chinesa e Plantas Brasileiras. Ícone. 1995.

CORRÊA, M. P. Dicionário das Plantas Úteis do Brasil. IBDF. 1984.

SOARES, A. D. Dicionário de Medicamentos Homeopáticos. 1ª edição. Santos
Livraria Editora. 2000.

PDR FOR HERBAL MEDICINES. 1ª edição. 1998.


Mentruz


O Mentruz ou Erva de Santa Maria é uma espécie muito utilizada na América, principalmente pelas civilizações indígenas norte americanas, mexicanas, argentinas e bolivianas. Os astecas utilizavam o Mentruz para combater a disenteria e contra as picadas de insetos e aranhas. O nome Chenopodium vem do grego e quer dizer “pata de ganso”, uma alusão à forma das folhas que têm algumas destas espécies.
É uma erva anual, perene e aromática, apresentando um altura entre 40 centímetros a 1 metro de altura. Possui inflorescência em forma de espiga com numerosas flores de cor verde, muito pequenas, surgindo das axilas das folhas superiores, formando o conjunto uma longa panícula.
A Pharmacopeia dos Estados Unidos do Brasil 1ª Edição (1926) caracteriza as folhas do Mentruz da seguinte maneira:
“As folhas maiores, de tamanho muito variável, são ovais-romboidais e oblongas, de base longamente atenuada no pecíolo, agudas ou obtusas no vértice, desigualmente incisas até um terço ou um quarto de sua largura, sinuosas-serreadas, com 5 a 7 grossos dentes longos em cada margem, integerrimos ou esparsamente duplidenteados, antorsos ou até um tanto recurvados, agudos ou obtusos; as folhas superiores são lanceoladas e as das inflorescências lineares, integerrimas; todas são tênues, quase glabras, de cor verde-escura e apresenta, numerosas glândulas oleíferas amarelas na página inferior.
As folhas da herva de Santa Maria possuem cheiro muito ativo, característico e sabor acre e aromático”.
O Mentruz é originário do México e das zonas temperadas do continente americano, crescendo espontaneamente em lavouras, terrenos baldios, hortas e jardins.

Nome Científico: Chenopodium ambrosioides L. Sinonímia: Ambrina ambrosioides spach; Atriplex ambrosioides Crantz; Chenopodium anthelminticum L.; Chenopodium suffruticosum Willd.; Chenopodium variegatum Gouan; Chenopodium vulpinum Buch.-Ham.; Orthosporum ambrosioides Kostel; Orthosporum anthelminticum Kostel.; Orthosporum suffruticosum Kostel.; Vulvaria ambrosioides Bubani.

Nome Popular: Mentruz, Erva de Santa Maria, Mastruz, Trevo de Santa Maria, Mastruçú, Mentrusto, Uzaidela, Ambrosia, Ambrosia do México, Anserina Vermífuga, Caá Cica, Chá da Espanha, Chá do México, Chá dos Jesuítas, Cravinho do Mato, Erva das Lombrigas, Erva das Cobras, Erva Formigueira, Erva do México, Lombrigueira e Erva Vomiqueira, em português; Amerikanischer Wurmasamen, Gänsefuss, Mexicanisches Traubenkraut e Wurmkraut, na Alemanha; Alpostes, Apazote, Caá-né, Hierba Fatua, Hierba Hormigueira, Huacatay, Ipazote, Pacote, Paico, Paico Macho, Pasote, Pazote, Quenopódio, Roble de Jerusalém, Té Espanhol, Yerba de Santa Maria e Yerba Hedionda, em espanhol; Ambroisine, Ansérine Anthelmintique, Ansérine du Méxique, Ansérine Vermifuge, Chénopode Anthelmintique, Herbe Aux Vers e Ansérine Odorante, na França; Wurmmelde, na Holanda; American Goose-Foot, American Wormseed, Jerusalem Oak, Mexican-Tea, Stinking-Weed, Worm Goose-Foot e Wormseed, em inglês; Anserina Antielmintica, na Itália.

Denominação Homeopática: CHENOPODIUM.

Família Botânica: Chenopodiaceae.

Parte Utilizada: Folha, flor e caule.

Princípios Ativos: Óleo Essencial: As folhas e as inflorescências contêm até 0,35%. Seu principal componente é o monoterpeno ascaridol (42-90% da essência). Contém também mirceno, felandreno, alfa-terpineno, p-cimeno, limoneno, cânfora, aritasona, safrol, N-docosano, N-hentricontano, N-heptacosano, N-octacopsano, beta-pineno, metadieno, metilsalicilato e dimetilsulfóxido. Saponinas; Ácido Cítrico; Ácido Salicílico; Ácido Tartárico; Ácido Succínico; Quercetina; Kempferol.

Indicações e Ação Farmacológica: O Mentruz é principalmente indicado para as parasitoses intestinais, tais como ascaridíase e ancilostomose.
Dentre os primeiros trabalhos científicos realizados com o óleo essencial do Mentruz, pode constatar em modelos experimentais de animais, uma ação hipotensora, depressão cardíaca e relaxante muscular (Salan W. e Livingstone A., 1915 e 1916). A ação antiparasitária do ascaridol foi descoberta entre as décadas de 20 e de 30 em ensaios in vivo sobre cachorros, em doses orais de 1 ml, sendo o principal espectro é contra o áscaris, oxiúros e ancilostomas, não exercendo ação sobre as tênias e sobre os tricocéfalos (Bliss A., 1925; Fernan Nuñez M., 1927; Butz L., 1937).
O uso do óleo extraído por arraste a vapor, administrado em doses únicas em adultos, numa razão de 1,5 ml por via oral, tem demonstrado ser eficaz em diversas parasitoses intestinais, mas existe dificuldade na estandarização do produto devido a variação dos princípios ativos e do número de espécies. Assim mesmo, a OMS determinou que uma dose de 20 g da planta inteira provoca rápida expulsão dos parasitas sem aparentes efeitos adversos (Ching Ch., 1980).
Outros componentes ativos desta planta também exercem propriedades biológicas. O cimeno e o mirceno apresentam atividade analgésica e o felandreno antitérmica (Duke J., 1992).

Toxicidade/Contra-indicações: O óleo essencial em altas doses tem evidenciado possuir toxicidade em humanos (especialmente os indivíduos debilitados) evidenciando sintomas
como náuseas, vômitos, depressão do sistema nervoso central, lesões hepáticas e renais, surdez, transtornos visuais, convulsões, coma e insuficiência cardio-respiratória. Tem-se demonstrado que a toxicidade pode aparecer de maneira acumulativa, como ao se administrar pequenas doses a intervalos diários. É devido a isso que quando se administra o Mentruz dentro das doses recomendadas, o mesmo não deve ser repetido passado seis meses da primeira dose (Robineau L., 1995).
Doses muito altas (equivalentes a 0,1 cm3 de ascaridol por kg de peso em animais) podem ocasionar cefaléias intensas, prostação e levar a morte. As autópsias revelaram um edema pulmonar, degeneração do fígado e lesões no miocárdio (Jellife D., 1951).
A dose letal para o ascaridol em ratos foi calculada em 0,075 mg/kg.
É contra-indicado o uso durante a gravidez, lactação, para crianças menores de 3 anos de idade, pacientes debilitados ou com enfermidades hepáticas, auditivas e renais (Simoes C. et al., 1986).

Dosagem e Modo de Usar: Não foram encontradas referências nas literaturas consultadas.

Referências Bibliográficas:
ALONSO, J. R. Tratado de Fitomedicina. 1ª edição. Isis Editora. Buenos
Aires 1998.

PR VADEMECUM DE PRECRIPCIÓN DE PLANTAS MEDICINALES. 3ª
edição. 1998.

ALBINO, R. Pharmacopéia dos Estados Unidos do Brasil. 1ª edição. 1926.

SOARES, A. D. Dicionário de Medicamentos Homeopáticos. 1ª edição. Santos
Livraria Editora. 2000.

Erva Doce


Planta de porte herbáceo, anual, medindo de 30 a 60 centímetros, originária das regiões mediterrâneas. No Brasil, além do seu emprego medicinal, é muito utilizada na culinária. É utilizada também em indústria de licores e perfumes. O gosto dos homens pela Erva Doce data de épocas remotas, mencionada em registros muito anteriores ao nascimento de Cristo. Possui caule estriado e fistuloso; com folhas radicais cordiforme-arredondadas, lobadas e inciso-crenadas, trifoliadas a penatissectas desde a base; flores pequenas, brancas, dispostas em umbela composta; fruto marrom ovóide-elipsóide, estriado e pubescente, de sabor doce e picante, contendo duas sementes.
Muitas vezes a Erva Doce é confundida com o Funcho ou Erva Doce de Cabeça (Foeniculum vulgare Gaertn.), sendo esta uma planta bianual, maior que a Erva Doce, medindo de 80 centímetros a 2 metros de altura, flores amarelas pequenas dispostas em grandes umbelas compostas e um fruto cinzento-escuro e fusiforme.

Nome Científico: Pimpinella anisum L. Sinonímias: Anisum officinarum Moench. Carum anisum Baill. Sison anisum Spreng.

Nome Popular: Erva Doce, Anis, Anis Verdadeiro, Anis Verde, no Brasil; Anacio, na Itália; Anise, na língua inglesa; Anis Vert, na França e Matalahúva e Hierba Dulce em língua espanhola. Não confundir Anis com Anis Estrelado (Illicium anisatum L.), pois são espécies diferentes.

Denominação Homeopática: ANISUM.

Família Botânica: Umbeliferae (Apiaceae).

Parte Utilizada: Fruto.

Princípios Ativos: Óleos essencial (2-5%), rico em trans-anetol (75-90%), com estragol (metilcavicol), furanocumarinas (umbeliferona), traços de hidrocarbonetos terpênicos e cetonas anísicas; Esteróis: estigmasterol; Flavonóides: quercitrosídeo, isoorientina, vitexina, rutosídeo. Glicídeos, Colina, Ácido Málico, Resina.


Indicações e Ações Farmacológicas: É indicada na inapetência, em distúrbios gastrointestinais tais como: dispepsias hiposecretoras, flatulência, gastroenterites e espasmos gastrointestinais; em distúrbios respiratórios: resfriados, bronquite, efisema e asma; topicamente: em dermatomicoses: psoríase, pé de atleta e candidíase.
A Erva Doce tem uma ação aperitiva, carminativa, digestiva, espamolítica, hepatoprotetora, mucolítica, espectorante, diurética, anti-séptica, escabicida, fungicida, vermífuga e aromatizante. A presença de óleos essenciais confere a ação sobre o aparelho digestivo observada. O trans-anetol estimula a ação das glândulas endógenas.

Toxicidade/Contra-Indicações: O óleo essencial, em doses elevadas ou prolongadas, pode produzir efeitos convulsivantes e atuar como estupefaciente, provocando paralisias musculares, congestão cerebral e outros distúrbios orgânicos. Pode ocasionar reações de hipersensibilidade cutânea, respiratória e gastrointestinal. Também se sabe do aparecimento de estomatites quando se administra oralmente o óleo essencial de anis. Não se pode ultrapassar de 5 gotas de óleo essencial a cada dose e no máximo de três vezes ao dia.
Em perfumaria os perfumes adotam notas anisadas.
Recomenda-se proceder, de forma preventiva, um teste de tolerância prévio em inalação de óleo essencial: inalar durante 15 segundos e esperar durante 30 minutos o aparecimento ou não de algum sintoma indesejado. Não se recomenda a administração de óleos essenciais em crianças menores de 6 anos e pacientes que possuam gastrite, úlceras duodenais, Síndrome do cólon Irritável, colite ulcerosa, Síndrome de Crohn, epilepsia, Doença de Parkinson e outras enfermidades neurológicas. Recomenda-se também não administrar extratos concentrados de óleo essencial em pessoas que estejam fazendo tratamento com estrógenos.

Dasagem e Modo de Usar:

Infusão: Uma colher de chá por infuso, depois das principais refeições.
Supositórios: 50 mg/supositório, 2 a 3 vezes ao dia.
Inalações: 5 gotas em meio litro de água fervida. Aerossóis: 500 mg de essência para cada 50 ml de preparado.
Tintura(1:10): 30 a 50 gotas, 1 a 3 vezes ao dia.
Extrato Fluido(1:1): 10 a 20 gotas, 2 a 3 vezes ao dia.
Extrato Seco(5:1): 100 a 300 mg/dia.
Pó: 0,2 a 2 gramas ao dia, em três doses.

Referências Bibliográficas:

PR VADEMECUM DE PRECRIPCIÓN DE PLANTAS MEDICINALES. 3ª
edição. 1998.

SCHAWENBERG, P.; PARIS, F. Guia de las Plantas Medicinales. Omega.
1980.

COSTA, A. F. Farmacognosia. Volume 1. Fundação Gulbenkian Calouste.
Lisboa. 1994.

SOARES, A. D. Dicionário de Medicamentos Homeopáticos. 1ª edição. Santos
Livraria Editora. 2000.

HERNANDEZ, M.; MERCIER-FRESNEL, M.M. Manual de Cosmetologia, 3ª
edição.

Chá-da-Índia ou Chá Verde



O Chá-da-Índia é uma pequena árvore de muitos ramos, medindo até 15 metros de altura. Foi introduzida no Brasil em 1812, trazida da Ilha-de-França por Luís de Abreu. Suas flores variam do branco ao rosa pálido, crescem em inflorescências em forma de cachos com poucas flores e possuem entre 5 a 7 sépalas e pétalas ao mesmo tempo; o fruto é uma cápsula marrom-esverdeada com 1 a 1,5 centímetro de diâmetro, que abriga de 1 a 3 sementes marrons e lisas.
É originária da Ásia continental e Indonésia e cultivada na Índia e China entre outros grandes produtores. Vem sendo utilizada há milhares de anos pelos habitantes do Oriente em cerimônias e nas refeições diárias. Nos últimos 30 anos, muitos trabalhos têm sido publicados, confirmando a atividade farmacológica já conhecida há séculos pela população oriental. Foi demonstrado que esta planta é rica em polifenóis, que apresentam inúmeras ações farmacológicas. As folhas e os botões terminais são utilizados na fabricação de chás popularmente conhecidos.
O aroma das folhas depende da natureza do solo e do clima. As folhas são colhidas ainda jovens, antes de estarem completamente desenvolvidas, então se procede rapidamente a secagem e são enroladas ainda quentes, estabilizando-as, e obtendo-se o “Chá Verde”. Se deixar ocorrer a fermentação, obtém-se o “Chá Preto”, o qual é mais aromático. Após a fermentação, a infusão passa de amarelo pálido (Chá Verde) para vermelho castanho ( Chá Preto) pela oxidação dos polifenóis, em particular pela formação de benzotropolonas.

Nome Científico: Camellia sinensis (L.) O. Kuntze; Sinonímia: Camellia thea Link.; Thea sinensis L.; Camellia bohea Lindl.; Camellia scottiana Wall.; Camellia theifera Griff.; Camellia viridis Link.; Thea assamica J. W. Mast.; Thea bohea L.; Thea cantoniensis Lour.; Thea chinensis Sims.; Thea cochinchinensis Lour.; Thea grandifolia Salisb.; Thea japonica Baill.; Thea latifolia Lodd. Ex Sweet; Thea longifolia Nois ex Steud.; Thea oleosa Lour.; Thea parvifolia Salisb.; Thea sasangua Nois. Ex Cels.; Thea stricta Hayne; Thea viridis L.; Theaphylla cantonensis Raf.; Theaphylla laxa Raf.; Theaphylla oleifera Raf.; Theaphylla viridis Raf

Nome Popular: Chá da Índia e Chá Verde, no Brasil; Te, em espanhol; Green Tea, Black Tea, Tea e Chinese Tea, em inglês.

Denominação Homeopática: THEA SINENSIS.

Família Botânica: Theaceae (Thernstroenmiaceae).

Parte Utilizada: Folha e caule.

Princípios Ativos: As folhas não fermentadas contêm: Polifenóis em abundância: Flavonóides: kenferol, quercetol emiricetol, Ácidos Fenolcarboxílicos: clorogênico e gálico, Taninos catéquicos; Bases Púricas: principalmente a cafeína (teína) e também teofilina, teobromina, adenina e xantina; Vitaminas do Complexo B e C; Proteínas; Sais Minerais, como fluoreto, magnésio e potássio; Glicídeos.


Indicações e Ações Farmacológicas: Suas folhas são indicadas na astenia física e psíquica, na diarréia, na bronquite, na asma, na prevenção de arteriosclerose, câncer e cáries. Topicamente é utilizada para reduzir as gorduras localizadas.
As bases púricas, principalmente a cafeína, são estimulantes do sistema nervoso central, agindo no córtex cerebral, inibindo o sono e reduzindo a sensação de fadiga e estimulantes do sistema cardiorespiratório, estimulando os centros respiratórios e vasomotores bulbares. A teofilina, em menor proporção que a cafeína apresenta ação inotrópica positiva, aumentando a freqüência cardíaca e coronária. A teofilina e a teobromina induzem a um relaxamento da musculatura lisa, especialmente ao nível bronquial, ureteral e das vias biliares. Estimulam uma contração muscular e ambas promovem um efeito diurético.
Os flavonóides são responsáveis pela ação venotônica e vasoprotetora. Eles inibem a peroxidação lípidica in vivo e in vitro. Existem relatos de inibição de autoxidação do ácido linolêico, oxidação de LDL, peroxidação de fosfolipídios da membrana, peroxidação lipídica microssomal e mitocondrial, lise e peroxidação de eritrócitos e fotoxidação e peroxidação de cloroplastos.
Tem sido demonstrado que a ingestão oral de extrato de Chá Verde fornece uma quimioproteção no desenvolvimento do câncer. Esses trabalhos têm sido realizados em animais utilizando carcinogênicos químicos e físicos.
Um estudo realizado por Yoshimi no Japão, concluiu que o consumo de Chá Verde promove uma diminuição dos níveis séricos de colesterol do tipo LDL, sendo útil na diminuição na incidência de doenças cardiovasculares e hepáticas.
Os taninos são adstringentes e os polifenóis apresentam atividade antioxidante.

Toxicidade/Contra-indicações: Pode haver o aparecimento dos seguintes efeitos secundários: nervosismo, insônia, taquicardia. Os taninos podem provocar moléstias gástricas, náuseas e vômitos, principalmente em infusões concentradas.
É contra-indicado o uso em pacientes que possuam gastrite, úlceras gastroduodenais, ansiedade, insônia e taquicardia.

Dosagem e Modo de Usar:
· Infusão: uma colher de sobremesa por xícara, infundindo por 10 minutos;
· Extrato Fluido (1:1): 25-50 gotas/dose. Tomar uma a três vezes ao dia;
· Tintura (1:5): 50-100 gotas, uma a três vezes ao dia;
· Extrato Seco (3:1): 50-100 mg ao dia, preferivelmente pela manhã.

Referências Bibliográficas:
PR VADEMECUM DE PRECRIPCIÓN DE PLANTAS MEDICINALES. 3ª
edição. 1998.

PDR FOR HERBAL MEDICINES. 1ª edição. 1998.

Revista Racine nº 49. 1999.

SOARES, A. D. Dicionário de Medicamentos Homeopáticos. 1ª edição. Santos
Livraria Editora. 2000.

Ceanotus



O Ceanotus é um pequeno arbusto decíduo, medindo entre 40 e 100 centímetros de altura com ramos púrpura-esverdeados. As folhas são alternas, medindo de 3 a 10 centímetros por 1,5 a 5 centímetros de largura, ovadas ou oblongo-ovadas, arredondadas na base. A face superior é glabra e a face inferior é densamente cinza e pubescente. A raiz é robusta, lenhosa, marrom escura, estriada ou finamente enrugada longitudinalmente. As inflorescências crescem nas axilas das folhas superiores e possuem longos pedúnculos, sendo as flores brancas. O fruto é uma cápsula globosa de aproximadamente 7 milímetros.
É uma espécie nativa dos Estados Unidos, sendo encontrada no Texas, leste da Flórida e sul do Arkansas.

Nome Científico: Ceanothus americanus L. Sinonímia: Ceanothus decumbens Hort. ex Steud.; Ceanothus dillenianus Hort. ex C. Koch; Ceanothus intermedius Pursh; Ceanothus levigatus Raf.; Ceanothus macrocarpus Hort. ex Steud; Ceanothus macrophyllus Desf.; Ceanothus officinalis Raf.; Ceanothus perennis Pursh; Ceanothus pitcheri Pickern ex Torr. et Gray; Ceanothus procumbens Hort. ex C.Koch; Ceanothus reclinatus Bosc ex Steud.; Ceanothus sanguineus Nutt.; Ceanothus tardiflorus Hornem.; Ceanothus trinervus Moench; Ceanothus virgatus Raf.

Nome Popular: Ceanotus, Ceanoto e Chá de Nova Jersey, em português; Seckelblumen Wurzel, na Alemanha; Ceanoto, Ceanoto de América e Te de Nueva Jersey, em espanhol; Céanothe d’Amerique e Thé de Jersey, na França; New Jersey Tea, Red Root, Red-Rod-Bark Tree, em inglês.

Denominação Homeopática: CEANOTHUS.

Família Botânica: Rhamnaceae.

Parte Utilizada: Folha e casca da raiz.

Princípios Ativos: Alcalóides Ciclopeptídicos: peptinas cíclicas; Triterpenos: incluindo ácido ceanothusico e ácido ceanotênico.

Indicações e Ações Farmacológicas: Em Homeopatia é específico das moléstias do baço, com dor nas costelas, à esquerda do ventre, e um pouco de falta de ar. Indica-se também na esplenite aguda ou crônica; na hipertrofia esplênica correspondente às cirroses do fígado; na bronquite crônica, com profuso catarro.

Toxicidade/Contra-indicações: Não há referências nas literaturas consultadas.

Dosagem e Modo de Usar:
Homeopatia: Tintura-mãe e 1.ª.

Referências Bibliográficas:
• SOARES, A. D. Dicionário de Medicamentos Homeopáticos. 1ª edição. Santos
Livraria Editora. 2000.

• CAIRO, N. Guia de Medicina Homeopática. 21ª edição. Livraria Teixeira. 1983.

• PDR for Herbal Medicines. 1st editon. Medical Economics. 1998.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Capim Cidrão




O Capim Cidrão é uma erva aromática, originária da Índia e atualmente muito cultivada no Brasil, caracterizada por apresentar de 60 a 80 cm de altura, formando varais touceiras e rizoma curto. As suas folhas são estriadas, longas, ásperas e com margens cortantes. As flores são raras e estéreis, não possuindo sementes. Possui aroma forte e penetrante, semelhante ao do limão, devido ao óleo essencial que se localiza nas células alongadas do parênquima foliar, mais abundante na parte superior das folhas, embora apareçam em toda a planta.
A indústria promove a destilação das folhas do Capim Cidrão, obtendo-se a essência que sempre tem como predominância o citral. Durante a Segunda Guerra Mundial a falta de transportes no Oriente e alta dos preços no mercado propiciou o desenvolvimento da cultura do Capim Cidrão na América, principalmente no Brasil, encontrando-se aclimatado principalmente nas regiões sul e sudeste e sendo muito conhecido também por Erva-cidreira e Capim-limão e utilizando suas folhas como chá com propriedades sedativas do sistema nervoso.

Nome Científico: Cymbopogon citratus (DC.) Satpf. Sinonímia: Andropogon schoenanthus L.; Cymbopogon citirdorus Link; Cymbopogon martini Stapf.; Cymbopogon martinianus Schultes.

Nome Popular: Capim Cidrão, Capim Limão, Erva-cidreira, Capim-caatinga, Capim-cheiroso, Capim-cidreira, Capim-cidrilho, Capim-siri e Capim-santo, em português; Lemongrass e West Indian Lemongrass, em inglês.

Família Botânica: Gramineae.

Parte Utilizada: Folha.

Princípios Ativos: Óleo Essencial: citral (responsável pelo odor de limão) e mirceno principalmente; Alcalóides; Saponinas; Cumarinas e Flavonóides.


Indicações e Ações Farmacológicas: Toma-se o chá do Capim Cidrão principalmente para aliviar pequenas crises uterinas e intestinais, assim como auxiliar no tratamento do nervosismo e em estados de intranqüilidade. Além disso, apresenta propriedade de repelente de insetos, bem como o emprego na indústria de perfumes.
Sua ação calmante e antiespasmódica suave são atribuídas ao citral e a atividade analgésica ao mirceno. Isto explica o seu uso nas dores musculares.

Toxicidade/Contra-indicações: Não se tem notícia de intoxicação por Capim Cidrão. O chá pode ser bebido à vontade.

Dosagem e Modo de Usar:
• Infusão: Cinco a seis gramas por xícara, à vontade.

Referências Bibliográficas:
• COSTA, A. F. Farmacognosia. Lisboa. Fundação Gulbenkian Calouste. 1994.

• MATOS, F. J. A. Farmácias Vivas. 3ª edição. UFC edições. 1998.

• Flora Brasileira – Primeira Enciclopédia de Plantas do Brasil. Volume 1. 1984.

• PDR for Herbal Medicines. 1st editon. Medical Economics. 1998.

• PANIZZA, S. Plantas que Curam (Cheiro de Mato). 7ª edição. 1997.