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sexta-feira, 13 de março de 2009

Crataegus



Pequeno arbusto que mede entre 2-7 metros de altura, possuindo uma casca de coloração cinzento-clara quando jovem, lisa e mais tarde castanha e fendida. Possui ramos espinhosos, folhas glabras com 3 a 5 lóbulos pouco profundos, ligeiramente serrados. O fruto é uma pequena drupa vermelha, menor a 1 centímetro de comprimento, contendo uma a três sementes. A Farmacopéia Brasileira 3ª Edição (1977) descreve as sumidades floridas do Crategus da seguinte forma: “ Flores dessecadas, mostrando ainda pedúnculos glabros, em média de 1 a 2 cm de comprimento. A flor é actinomorfa e apresenta dois ou, menos freqüentemente, três carpelos concrescidos na sua face dorsal com o receptáculo, e terminando em dois a três estiletes com um estigma plano e o bordo superior do receptáculo com os seguintes órgãos: o cálice com 5 sépalas, a corola com 5 pétalas e numerosos estames, na maioria dos casos 20. As sépalas aparecem triangulares com ponta obtusa ou afilada, glabras ou na face interna (superior) fracamente pilosa, de 3 a 4 mm de comprimento. As pétalas exibem um contorno arredondado com uma curta unguícola, delicadamente crenuladas, glabras, de 5 a 6 mm de comprimento; sua cor, branca ou ligeiramente rosa na flor fresca, toma um matiz pardacento pela dessecação. O crataego é quase sem odor e sabor.”
Seu nome botânico deriva do grego, kratiegus, que significa dureza, uma alusão à sua madeira, sendo imposto pela primeira vez por Teofrasto. Para os gregos e romanos esta espécie significava a esperança, o matrimônio e a fertilidade. As damas nobres gregas gostavam de usar uma flor presa às roupas. Os romanos colocavam folhas de Crataegus nas camas das crianças para evitar a invasão dos “espíritos maus”. Esta espécie por muitas vezes pode atingir até 500 anos de existência.

Nome Científico: Crataegus oxyacantha L. Sinonímia: Crataegus laevigata D.C.

Observação 1: Existem ao menos duas espécies do gênero Crataegus que se desenvolvem no mesmo habitat e possuem basicamente as mesmas indicações e propriedades terapêuticas. São elas: Crataegus monogyna e Crataegus pinnatifida.

Nome Popular: Crataegus, Crataego e Espinheiro-alvar, no Brasil; Pirliteiro, Espinheiro-alvar, Escambrulheiro, Cambroeira, Espinheiro-branco, Abronceiro, Espinheiro-ordinário, Espinha-branca, Estrepeiro e Escalheiro, em Portugal; Espino Albar, Crataegus e Majuelo, em espanhol; Hawthorn e Midland Hawthorn, em inglês; Biancospino, na Itália; Aubépine e Epine Blanche, na França; Weissdorn e Zweigriffliger Weissdorn, na Alemanha.

Denominação Homeopática: CRATAEGUS.

Família Botânica: Rosaceae.

Parte Utilizada: Folha, flor e fruto.






Princípios Ativos: Proantocianidinas Oligoméricas ou Leucoantocianidinas (1-3%): procianidina B-2 dimérica e eriodictioglicosídeo; Flavonóides: derivados do quercetol (hiperosídeo, rutina, quercetina-ramnogalactosídeo, espirosídeo e metoxi-kaempferol-3-O-glicosídeo) e derivados do apigenol (vitexina e vitexina-4-ramnosídeo, entre outros);
Ácidos Carboxílicos (0,3-1,4%): ácidos ursólico e catególico (folhas), acantol, ácido neotególico (ausente na flor), ácidos cafêico e clorogênico; Fitosteróis: -sitosterol; Tanino Catéquico: epicatequina; Óleo Essencial (0,16%): aldeído anísico; Vitamina C (no fruto); Sais Minerais: sódio, cálcio, potássio, fósforo e magnésio; Ácidos Graxos; Açúcares: glicose e frutose.

Observação 2: As edições da Farmacopéia Brasileira (2ª e 3ª edições) não trazem o teor mínimo de princípio ativo para o Crataegus, deixando por conta da análise macroscópica e microscópica, além de ensaios físico-químicos a identificação da espécie. No entanto, a Farmacopéia Alemã (1994) determina um teor mínimo de 0,70% em flavonóides totais, calculados como hiperosídeo.

Indicações e Ação Farmacológica: Indicado principalmente no mau funcionamento cardíaco: extrasístoles, taquicardia paroxística, palpitações, coronarites, hipertensão arteial, arterosclerose, prevenção da angina pectoris, insuficiências cardíacas leves, recuperação pós infarto e espasmos vasculares. Atua também no sistema nervoso central, nas distonias neurovegetativas e nas úlceras por stress. Na Homeopatia o Crataegus é um grande tônico para o coração, utilizado principalmente na arteriosclerose, na asma cardíaca e na angina.
Podemos dividir em duas partes os efeitos proporcionados pelo Crataegus: um cardiovascular e outro, em menor proporção, sobre o sistema nervoso central.

• Efeito Cardiovascular: As protocianidinas e os flavonóides do Crataegus tem sido assinalados como os princípios ativos de maior atividade neste nível. Em estudos in vitro sobre corações isolados de cobaias, os extratos desta espécie têm demonstrado aumentar o fluxo coronário (Petkov V., 1979; Ghani A. et al., 1987). Os mesmos resultados mais um efeito redutor da pressão arterial por beta-bloqueio e vasodilatação foram observados em testes in vivo sobre gatos, cachorros, ratos e coelhos (Rácz Kotilla E. et al., 1980; Occhiuto F. et al., 1986).
Na década de 40 realizaram-se os primeiros ensaios em pacientes com hipertensão arterial com Crataegus, observando-se que a administração a altas doses (não tóxicas) da tintura apresentavam resultados benéficos (Combemale B. et al., 1944). Os extratos alcoólicos têm demonstrado possuir uma atividade hipotensora superior em relação aos extratos aquosos. Com relação ao extrato fluido de Crataegus, a sua administração em





pacientes com hipertensão arterial moderada tem sido benéfica. O efeito hipotensor promove ligeira bradicardia e aumento do fluxo sangüíneo da musculatura estriada esquelética (Rewerski W. e col., 1971).
Também se deve acrescentar que a infusão das flores tenderia a um efeito moderado, o qual é coadjuvante na diminuição da pressão arterial (Van Ginkel A., 1997).
A administração prévia de extratos de Crataegus demonstrou um efeito profilático sobre a produção de arritmias cardíacas induzidas pela administração endovenosa de aconitina em coelhos. Entretanto, a administração da infusão por via oral posterior a administração de aconitina, não combateu as arritmias (Thompson E. et al., 1974).
A administração prévia de extratos crús de uma variedade muito próxima, o Crataegus pinnatifida, como também o flavonóide vitexina-4-ramnosídeo do Crataegus oxyacantha, têm demonstrado exercer um efeito protetor nas isquemias experimentais sobre os cachorros anestesiados e corações isolados e reperfundidos de ratos (Nasa Y. et al., 1993; Schussler M. et al., 1995; Popping S. et al. , 1995).
Sabe-se que os radicais livres possuem um importante papel na arterogênese. Assim, ratos alimentados com extratos feitos de fruto de Crataegus pinnatifida, têm-se evidenciado uma maior atividade da enzima superóxido desmutase, proteína que promove a inativação dos radicais livres e uma inibição da peroxidação-lipídica. Esta atividade está diretamente relacionada com as procianidinas e flavonóides (Day Y. et al., 1987; Bahorun T. et al.,1994; Rakotoarison D. et. al., 1997).

• Efeito sobre o Sistema Nervoso Central: Ocorre um efeito depressivo suave em ratos que receberam extratos de Crataegus por via oral. Então verificou-se uma prolongação do tempo de sono induzido por barbitúricos como também um decréscimo na motilidade espontânea nos animais e do tônus simpático (Ammon H. et al., 1981). A atividade sedativa do sistema nervoso central estaria baseada numa ação inibitória do tônus simpático excitado, observado através de melhorias nos casos de alterações vasomotoras, vertigens, hiperemotividade, etc. Inclui-se a sua utilidade na sintomatologia simpática do Edema de Quinckle (Berdonces J., 1985).
Para alguns autores, o efeito sedativo do Crataegus seria superior ao da Valeriana e e comparável com ao dos Benzodiazepínicos (Della Loggia R. et al., 1981).

Toxicidade/Contra-indicações: Durante a utilização de formulações comerciais com Crataegus, um pequeno grupo de pacientes apresentaram alguns efeitos adversos como fadiga, transpiração, náuseas, entre outros sintomas, desaparecendo ao suspender a administração (Von Eiff M. et al., 1994).
Nas provas de toxicidade aguda, a DL50 mostra que a administração endovenosa de flavonóides isolados é de 50-2.600 mg/kg. A DL50 para o extrato total alcoólico das folhas a 20% por via endovenosa, foi calculada em 390 mg/kg, enquanto que por via oral alcança 6 g/kg. Todos estes dados indicam baixa toxicidade (Ammom H., 1981).
Em doses extraterapêuticas pode produzir depressão respiratória e cardíaca. Recomenda-se utilizar a dose indicada e tratamentos discontínuos.
Não se tem registrado casos de toxicidade crônica fetal, mutagênese ou carcinogênese.
É contra-indicada a administração juntamente com cardiotônicos ou com benzodiazepínicos.
Tem-se demonstrado tanto in vitro quanto in vivo uma redução no tônus e na motilidade uterina, sendo portanto contra-indicado na gravidez. A falta de referrências que afirmem que os princípios ativos acabem por se concentrar no leite materno, não se recomenda o uso durante a lactação (Ammon H., 1981).

Dosagem e Modo de Usar:
• Infusão: Uma colher de sobremesa por xícara, infundindo por 15 minutos. Tomar três vezes ao dia;
• Tintura (1:5): 50-100 gotas antes de cada refeição, três semanas ao mês, como hipotensor; 40 gotas antes de dormir, como sedante e anti-espasmódico.
• Extrato Fluido (1:1): 30 a 50 gotas, uma a três vezes ao dia;
• Extrato Seco (5:1): 0,5 a 1 grama/dia (1 grama equivale a 5 gramas da planta seca).
• Homeopatia: Tintura-mãe- 1 a 25 gotas por dia, em doses de cinco gotas cada uma.

Referências Bibliográficas:
• ALONSO, J. R. Tratado de Fitomedicina. 1ª edição. Isis Editora. Buenos
Aires 1998.

• PR VADEMECUM DE PRECRIPCIÓN DE PLANTAS MEDICINALES. 3ª
edição. 1998.

• Segredos e Virtudes das Plantas Medicinais. Seleções do Reader’s Digest. 1ª
edição. 1983.

• SCHAWENBERG, P.; PARIS, F. Guia de las Plantas Medicinales. Omega.
1980.

• FARMACOPÉIA BRASILEIRA. 3ª edição. 1977.

• CAIRO, N. Guia de Medicina Homeopática. 1983.

• SIMÕES, C. M. O. Farmacognosia da Planta ao Medicamento. 1ª edição.
1999.

• COIMBRA, R. Manual de Fitoterapia. 2ª edição. 1994.

• SOARES, A. D. Dicionário de Medicamentos Homeopáticos. 1ª edição. Santos
Livraria Editora. 2000.
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