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segunda-feira, 23 de março de 2009

Ipeca Preta


Pequena planta de porte arbustivo, originária dos vales úmidos brasileiros. As folhas são opostas e curtamente pecioladas. As flores (de 10 a 20) são brancas e os frutos são arroxeados. A droga vegetal é constituída pela raiz da Ipeca Preta, sendo descrita da seguinte maneira pela Farmacopéia Brasileira 4ª Edição (1996): “ Raiz tortuosa, simples ou raramente ramificada, medindo até 15 centímetros de comprimento e 6 milímetros de largura. Coloração variando do vermelho-tijolo escuro ao marrom escuro. Externamente, apresenta numeroso anéis rugosos separados entre si por sulcos arredondados contornando completamente a raiz. Fratura breve na casca e lascada no lenho. Superfície lisa em corte transversal, com larga casca espessa, uniformemente densa e muito dura. Rizomas curtos, geralmente unidos à raiz, cilíndricos, de até 2 mm de diâmetro, finamente enrugados no sentido longitudinal, com parênquima medular ocupando aproximadamente 1/6 do diâmetro total.”
Nesta edição do código farmacêutico brasileiro, a descrição macroscópica serve tanto para a espécie Cephaelis ipecacuanha (Brot.) A. Rich, quanto para a espécie Cephaelis acuminata Karsten, diferenciando apenas as espécies na descrição microscópica.
Segundo a Britsh Pharmacopeia International Edition (1993) o termo Ipecacuanha consiste dos órgãos subterrâneos de Cephaelis ipecacuanha (Brot.) A. Rich. , a Ipeca Preta, conhecida como Matto Grosso Ipecacuanha e encontrada no Brasil, ou de Cephaelis acuminata Karsten, espécie encontrada na Costa Rica e conhecida como Costa Rica Ipecacuanha ou ainda a mistura de ambas as espécies. A raiz de Cephaelis acuminata assemelha-se muito com a raiz de Cephaelis ipecacuanha. Porém a Cephaelis acuminata é geralmente 9 mm mais grossa e microscopicamente possui grãos de amido com 22 m de diâmetro, ao passo que a Cephaelis ipecacuanha possui apenas 15 m de diâmetro.

Nome Científico: Cephaelis ipecacuanha (Brot.) A. Rich. Sinonímia: Evea ipecacuanha (Brot.) Standley; Uragoga ipecacuanha Bail.; Pschotria ipecacuanha Mull.; Calicocca ipecacuanha Brot.; Cephaelis emetica Pers.; Ipecacuanha officinalis An. Can.;

Nome Popular: Ipeca Preta; Ipecacuanha, Poaia, Ipeca, Ipecacuanha Preta, Ipecacuanha anelada, Picacuanha, Raiz preta, Cipó de Camelos, Cipó Emético, Poaia-do-Mato, Poaia Legítima, Ipeca do Rio, Ipeca de Cuiabá, Poaia das Boticas, Ipeca de Mato Grosso, Cagosanga, no Brasil; Brechwurzel, Rhurwurzel, na Alemanha; Americansk Kräkot, na Dinamarca; Ipecacuane Annelé, I. Gris Annelé du Bresil, Racine d’Ipecacuanha, na França; Rvotnoi Koren, na Rússia; Poaja, na Colômbia; Bejuquilo, na Argentina; Ipecacuane, na Itália; Brazilian Ipecac, Matto Grosso Ipecacuanha, Ipecac, em inglês; Ipecacuannna, na Holanda e Kräkrot, na Suécia.






Denominação Homeopática: IPECA ou IPECACUANHA.

Família Botânica: Rubiaceae.

Parte Utilizada: Raiz.

Princípios Ativos: Alcalóides Isoquinolêinicos (2-4%): emetina (60-70%), cefelina (25%), psicotrina, éster metílico de psicotrina e emetamina; Saponinas; Açúcar; Amido e Ácido Ipecacuânico; Taninos; Sais Minerais.

Indicações e Ação Farmacológica: É usado nas bronquites, pneumonias, congestões pulmonares, broncopneumonias, e, em geral quando as mucosas das vias respiratórias, inflamadas e ressecadas, estão cobertas de mucosidades, atuando como modificador das secreções e sedativo; agindo sobre as fibras musculares lisas, determina vasoconstrição, razão de ser, de sua ação descongestionante e hemostática. Empregado no tratamento das diarréias e disenterias, em especial a amebiana. Dos seus princípios ativos destaca-se a emetina, que sob a forma de cloridrato, é usada em poções, grânulos e ampolas, sendo mais prescrita para uso hipodérmico, o que poupa ao doente, náuseas e transtornos digestivos, possuindo ação anti-hemorrágica e antiparasitária.
As mesmas agem de acordo com os seus alcalóides majoritários: emetina e cefelina, gerando diferentes respostas segundo as doses empregadas. Doses baixas provacam um efeito expectorante, enquanto que doses altas são emetizantes. As doses usuais promovem um efeito antihelmíntico e estaciona estados de disenterias.
A emetina em doses terapêuticas apresenta um marcado efeito inibitório sobre a fase amebóide da Entamoeba histolytica, porém não possui efeito tão efetivo frente às formas císticas que habitam a luz intestinal. Isto faz com que ocorra uma eliminação parcial dos trofozoítos e promovendo a viabilização dos cistos, concluindo desta forma que o tratamento foi incompleto e o paciente continua sendo portador (Harries, J., 1982).
Para evitar que isto ocorra, combina-se a emetina com outras drogas no curso do tratamento, ou simplesmente se substitui por nitroimidazóis, de eficácia similar, porém menos tóxicos (Goldman P., 1980). Também se pode recorrer ao análogo dihidroemetina, o qual também mostrou-se menos tóxico que a emetina, sendo sua dose em adultos equivalente a 1-1,5 mg/kg diários (máximo de 90 mg diários e cinco dias de tratamento). A baixa tolerância gástrica que possui estes alcalóides, faz com que eles sejam administrados parenteralmente, o qual não está isento de reações adversas locais tais como dor ou abscessos (Goldman e Gilman A., 1986).
Em relação ao efeito emético, o mesmo foi elucidado na década de 50, ao comprovar que a emetina ( e em maior proporção a cefelina) geravam uma excitação das zona que corresponde aos terminais reflexos do nervo vago, somado a uma ação direta sobre os quimioreceptores da área posterior do bulbo (Borison H. e Wang S., 1953) e ação irritativa sobre o trato intestinal (Allport R., 1959).





A respeito de sua ação sobre o trato respiratório, a mesma estimulação do nervo vago produz um aumento nas secreções bronquiais, favoracendo a fluidificação das mesmas. É
muito útil na tosse seca ou improdutiva, para o qual se prescrevem doses de 0,05-0,1 grama de droga (ou 0,5-2 mg de alcalóides totais) em forma de xarope via oral (Cañigueral Folcara S., 1993).

Toxicidade/Contra-indicações: A concentração de alcalóides é variável de espécie para espécie de planta e quanto ao local e período de coleta. Não superar as doses indicadas. A intoxicação se manifesta por cólicas intestinais, diarréia sanguinolenta e pode conduzir o indivíduo ao coma e morte por colapso cardiorespiratório. Em pequenas doses tem ação expectorante e portanto deve ser seguida a prescrição. Como antiparasitário, é mais recomendável o uso de especialidades a base de cloridrato de emetina.
É contra-indicado na gravidez, lactação, para crianças e idosos, cardiopatas e pessoas que tenham hipotensão arterial.
O pó de Ipecacuanha promove um efeito secundário, irritando fortemente a pele, com um efeito vesicante. Afeta também as mucosas respiratórias e digestivas. Doses elevadas provocam vômito, por estimulação principalmente dos centro bulbar. Os alcalóides são cardiotóxicos, promovendo arritmias; hipotensores e capilarotóxicos.

Dosagem e Modo de Usar:
• Infuso ou Decocto: 0,25%, de 20 a 200 ml, de 3 em 3 horas;
• Pó: de 0,10 a 0,50 gramas, de 3 em 3 horas;
• Cloridrato de Emetina: doses máximas: de uma vez e por dia, 0,10 gramas.


Referências Bibliográficas:

• FARMACOPÉIA BRASILEIRA. 4ª edição. 1996.

• COIMBRA, R. Manual de Fitoterapia. 2ª edição. 1994.

• Britsh Pharmacopeia International Edition (1993).

• SCHAWENBERG, P.; PARIS, F. Guia de las Plantas Medicinales. Omega.
1980.

• SCHVARTSMAN, S. Plantas Venenosas. 1ª edição. 1979.

• PDR FOR HERBAL MEDICINES. 1ª edição. 1998.






• ALONSO, J. R. Tratado de Fitomedicina. 1ª edição. Isis Editora. Buenos
Aires 1998.

• SOARES, A. D. Dicionário de Medicamentos Homeopáticos. 1ª edição. Santos
Livraria Editora. 2000.
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