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terça-feira, 10 de março de 2009

Centella



A Centella é uma erva de pequeno porte, de rizoma vertical, filiforme e freqüentemente avermelhado. Na droga inteira, observa-se folha de contorno orbicular-oval. A margem é levemente sinuada a denteada, com base cordada a truncada e o ápice, obtuso a truncado. A superfície é áspera, com ondulações, sendo a face inferior tormentosa e a superior pubescente. O pecíolo é longo, estreito, achatado e torcido, tendo, geralmente, 10,5 centímetros de comprimento, ou mais, com superfície que pode apresentar-se viloso tomentosa, sendo mais visível no ponto de inserção à folha, de coloração castanho-esverdeada a castanho-avermelhada, dilatado na base e com estípula.
O caule (estolho) é longo, delgado, achatado, tormentoso, castanho escuro avermelhado ou castanho claro, com estrias, levemente torcido. As flores são brancas ou róseas, bracteadas, geralmente sésseis, dispostas em umbelas simples de 3 a 4 unidades. O fruto é ovóide, castanho-escuro, pequeno, duro, pericarpo espessado, reticulado-rugoso e com todos sulcos muito visíveis. A semente é comprimida lateralmente.
É originária da Ásia Tropical, onde há mais de 3000 anos os habitantes destas regiões já a utilizavam como estimulante e no tratamento de lesões cutâneas. Cresce muito bem no Brasil, principalmente nos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Prefere lugares úmidos e sombreados. Como é amplamente comercializada, a sua adulteração é bastante freqüente com espécies de Hydrocotyle.

Nome Científico: Hydrocotyle asiatica L. Sinonímia: Centella asiatica Urban.; Hydrocotyle abbreviata A.Rich.; Hydrocotyle biflora Vell.; Hydrocotyle brasiliensis Scheidw.; Hydrocotyle brevipedata St.-Lag.; Hydrocotyle brevipes DC.; Hydrocotyle cordifolia Hook.f.; Hydrocotyle dentata A.Rich.; Hydrocotyle ficarifolia Stokes; Hydrocotyle hebecarpa DC.; Hydrocotyle inaequipes DC.; Hydrocotyle indivisa Banks et Sol.; Hydrocotyle leptostachys Spreng.; Hydrocotyle lunata Lam.; Hydrocotyle lurida Hance; Hydrocotyle rotundifolia Wall.; Hydrocotyle sarmentosa Salisb.; Hydrocotyle thunbergiana Spreng; Hydrocotyle triflora Ruiz et Pav.; Hydrocotyle wightiana Wall.


Nome Popular: Centela, Centelha, Centela Asiática, Centela-da-ásia, Pata-de-mula, Pata-de-burro, Pé-de-cavalo, no Brasil; Indian Water Navel-Wort, em inglês; Hidrocotile, em língua espanhola; Asiatisches Wassernabelraut, na Alemanha; Fo-ti-tieng, na China; Gotu Kola, na Índia.

Denominação Homeopática: HYDROCOTILE.

Família Botânica: Umbelliferae.

Parte Utilizada: Caule e Folha.

Princípios Ativos: Saponosídeo Triterpênico: asiaticosídeo, o qual por hidrólise origina uma genina derivada da alfa-amirina chamada ácido asiático; Ácidos Triterpênicos: ácido indocentóico e ácido madecásico; Alcalóide: hidrocotilina; Princípio Amargo: vallerina; Flavonóides: kempferol., 3-glicosil-quercetina e 3-glicosil-kampferol; Ácidos Graxos: ácidos linolêico, lignocérico, linolênico, oléico, palmítico e esteárico; Resina; Ácido Péctico; Taninos; Óleo Essencial: rico em cineol, cânfora, farneseno, germacreno e cariofileno; Vitamina C; Açúcares; Saponinas Glicosiladas: ácido brahmico e brahmosídeo; Felandreno; Fitosteróis: estigmasterol, b-sitosterol, campestrol; Mucilagens; Pectina; Poliacetilenos.

Indicações e Ação Farmacológica: Topicamente é indicada nas feridas, úlcera dérmica, eczemas, eritema, estrias, queimaduras, psoríase, vulvovaginite, distrofia da mucosa vulvovaginal, ulcerações dérmicas, bucais ou da córnea, blefarites, conjuntivite, parodontopatias, faringite, dermatite e prurido. Oralmente é utilizada na insuficiência venosa e depressão nervosa. Em Homeopatia o principal uso da Centella é na hanseníase e na elefantíase, além da aplicação na psoríase e icitiose.
O asiatiacosídeo estimula a ativação fibroblástica, com o qual apresenta um efeito reepitelizante, ação reforçada pelo efeito adstringente dos taninos. No mais é anti-séptico e antipruriginoso. Internamente apresenta ação tônica geral, antidepressiva e venotônica (PR Vademecum).
O uso popular conferido a esta espécie nas lesões leprosas e tuberculosas cutâneas, levou a diferentes pesquisadores a promover ensaios com extratos de asiaticosídeo tanto in vivo como in vitro. Assim pôde-se constatar que as injeções subcutâneas de 0,25 g de extrato de asiaticosídeo haviam demonstrado resultados significativos (Boiteau P. e Ratismamanga A., 1956).
Em 1967, J. Lawrence realizou uma série de testes de avaliação da toxicidade cutânea (através de métodos de medição de respiração cutânea e exames histoquímicos) sobre a pele de cobaias in vitro, chegando a conclusão que o asiaticosídeo atua de maneira similar a certos antibióticos e germicidas. O estudo histológico das zonas tratadas mostrou um estímulo sobre o estrato germinativo promovendo um aumento da queratinização.
A partir destes resultados, este mesmo autor promoveu um ensaio com extratos de asiaticosídeo sobre modelos de queimaduras experimentais, com objetivo de comprovar o comportamento do mesmo sobre a síntese de mucopolissacarídeos e colágeno, não observando melhoras substanciais nos processos de reparação tissular (Dutta T. e Basu U., 1968).
Com relação à celulite, Hachem e Burgain, nos meados da década de 70 se propuseram a investigar a anatomopatologia deste tipo de lipodistrofia localizada. Assim realizaram um estudo duplo-cego com um extrato purificado de Centella asiática após estudo comparativo realizado de amostras de biópsias de deltóides e trocanter tomados antes e depois do tratamento com 60 mg diários de Centella asiatica durante três meses. Os exames histológicos revelaram uma redução da tendência da esclerose por parte dos fibroblastos nos focos celulíticos, com relação ao grupo controle. O ácido madecásico foi identificado como o principal componente antiinflamatório, enquanto que o asiaticosídeo era o princípio ativo cicatrizante (Tsurumi K. et al., 1973).
Foi possível determinar em meios de cultura de células embrionárias humanas, que os extratos purificados de Centella asiatica produzem um estímulo na síntese de lipídios e glucosaminoglicanos, em especial o ácido hialurônico e condroitina sulfato. Desta maneira, estes extratos estimulam os componentes amorfos glucosaminoglicanos e em menor proporção as fibras além do efeito nulo sobre o crescimento celular. Também foi observada uma redução marcante nos níveis de ácido urônico e das enzimas lisossomais relacionadas com o metabolismo dos mucopolissacarídeos (b-glucoronidase, b-N-acetil-glucosaminidase e arilsulfatase). Tudo isto implicaria no desenvolvimento de um tecido conectivo normal e um correto processo de reepitelização (Del Vecchio A. et al.,1984).
Em diferentes ensaios duplo-cego versus placebo, promoveu-se ensaios com extratos de Centella asiatica em pacientes com insuficiência venosa crônica. Pastore e Zorzoli, em 1982, estudaram 26 mulheres com esta patologia, as quais receberam 20 mg diários durante um mês, sendo os seguintes parâmetros: edema postural, alterações de crescimento cutâneo, dor e cãibra, parestesias e a sensação de corpo pesado. Cada sintoma foi qualificado ao começar e terminar cada tratamento.
O resultado final determinou a eficácia do tratamento em praticamente todos os sintomas, salvo os correspondentes crescimento cutâneo e parestesias. No grupo placebo, em somente um houve melhora da sensação de pesado. Em uma prova similar Mazzola e Gini ensaiaram neste mesmo ano ao longo de três meses uma dose três vezes maior que a anterior (60 mg diários da fração triterpênica total) observando resultados muito superiores ao ensaio prévio, sem comprovar efeitos tóxicos ou adversos.
Nos casos de úlceras tróficas venosas dos membros inferiores, vários autores assinalaram a utilidade dos extratos de Centella administrados tanto local quanto parenteralmente (Boely e Ratsimamanga, 1958; Farris, 1960; Borsalino, 1962; Maleville, 1979; Apperti e col., 1982).
Estudos comprovaram in vivo em ratos um efeito depressor central estabelecido pelo ácido brahmico e do brahmosídeo quando foram admonistrados via intraperitoneal (Ramaswany A. et al.I, 1970).
A administração oral de cápsulas de Centella asiática ou asiaticosídeo e cloreto de potássio foi relatado como tão efetivo quanto a dapsona na terapia para pacientes com hanseníase.
Em estudos clínicos, extrato de Centella asiatica em 1%ou 2% em pó acelerou a cura de feridas. Outros estudos clínicos demonstraram atividade antiulcrosa após administração oral. (Organização Mundial da Saúde).

Toxicidade/Contra-indicações: De modo geral a Centella é bem tolerada nas doses adequadas.Altas doses por via oral pode provocar cefaléias, vertigens, hipotensão arterial e estados narcóticos leves e moderados. Seu óleo essencial seria o responsável, preferindo-se administrar a fração triterpênica por via oral devido a sua menor toxicidade.
No uso interno se recomenda não ultrapassar da dose de 500-600 mg do pó da droga, ou dez gotas do extrato, três vezes ao dia. A fração triterpênica não deve ultrapassar por via oral os 60 mg diários (Ramaswamy A. et al., 1970). Em alguns pacientes se observou uma elevação do colesterol total e desta forma deve-se prescrever com muita cautela nos casos de hipercolesterolemia familiar (Newall C. et al., 1996).
Em doses elevadas pode produzir efeitos depressores do sistema nervoso central podendo causar vertigem em pessoas com sensibilidade à droga. Em regiões tropicais pode causar fotossensibilização cutânea.
É contra-indicado o uso na presença de gastrite, ou úlcera duodenal, pois os taninos podem irritar a mucosa gástrica.

Dosagem e Modo de Usar:
· Uso Tópico:
- Cataplasmas da planta fresca, aplicando sobre a zona a ser tratada;
- Extrato Glicólico: em géis, cremes e loções suavizantes: 2-5%; em cremes reparadores e restauradores: 3-6%; cremes após sol: 1-5%.
- Pó: Aplicar 2 vezes ao dia sobre a zona a ser tratada.

· Uso Interno:
- Extrato Seco (5:1): 100 mg, uma a três vezes ao dia;
- Tintura (1:10): 50 gotas, três vezes ao dia;
- Extrato Fluido (1:1): 10-30 gotas, três vezes ao dia.
- Infusão: 0,33-0,68 gramas, três vezes ao dia.
- Pó: 0,25 a 1 grama por dia, após as refeições.

Referências Bibliográficas:
SIMÕES, C. M. O. Farmacognosia da Planta ao Medicamento. 1ª edição. Editora
da Universidade.


TESKE, M.; TRENTINI, A. M. Herbarium Compêndio de Fitoterapia.
Herbarium. Curitiba. 1994.

PR VADEMECUM DE PRECRIPCIÓN DE PLANTAS MEDICINALES. 3ª edição.
1998

SCHAWENBERG, P.; PARIS, F. Guia de las Plantas Medicinales. Omega.
1980.

ALONSO, J. R. Tratado de Fitomedicina. 1ª edição. Isis Ediciones. Buenos
Aires. 1998 (obra cita as referências mostradas nos itens Indicações e Ações
Farmacológicas/ Toxicidade e Contra-indicações).

SOARES, A. D. Dicionário de Medicamentos Homeopáticos. 1ª edição. Santos
Livraria Editora. 2000.

CAIRO, N. Guia de Medicina Homeopática. 21ª edição. Livraria Teixeira. 1983.

WHO Monographs on selected plants. 1st edtion.
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